Mais de 500 mamíferos marinhos morrem de gripe aviária no RS

2015-04-10_190211

Somente a pequena cidade de Santa Vitória do Palmar registrou na última sexta-feira 164 animais mortos

Pelo menos 522 leões-marinhos e lobos-marinhos morreram no litoral sul do Brasil devido à gripe aviária, anunciou nesta quarta-feira (25) o governo do Rio Grande do Sul.

“Até o momento, foram contabilizados 552 mamíferos aquáticos mortos em diferentes pontos do litoral”, confirmou a Secretaria de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul, em nota enviada à AFP.

Somente a pequena cidade de Santa Vitória do Palmar registrou na última sexta-feira 164 animais mortos. Vários deles foram encontrados a poucos quilômetros da fronteira com o Uruguai, onde reportou-se recentemente a morte de centenas de lobos-marinhos e leões-marinhos, também atribuídas à gripe aviária.

“As notificações não alteram a condição sanitária do Estado e do país e não há risco para o consumo de carnes e ovos”, ressalta a nota da Secretaria. “A partir de agora, não haverá mais coletas em animais das mesmas espécies onde já se tem a confirmação do vírus, apenas se uma nova espécie de animal apresentar sintomas de influenza”.

A população local foi aconselhada a não se aproximar de mamíferos ou aves suspeitos, apesar de a transmissão para o homem não ser comum.

“Esse vírus não tem essa capacidade de transmissão de humano, para outra pessoa, para outro humano. Ele não está adaptado ao ser humano. Existe um risco de em algum momento acontecer a mutação desse vírus e ele poder se adaptar para a transmissão para humanos. A recomendação é não manipular”, explica Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

O Ministério da Agricultura e Pecuária reportou no começo do mês o primeiro foco da doença em mamíferos marinhos do país, na praia do Cassino, Rio Grande do Sul. O Brasil, no entanto, mantém o status de país “livre da influenza aviária, por não haver registro da doença na produção comercial”, ressaltou o governo.

Países como Peru, Chile e Argentina também registraram mortes em sua fauna marinha devido ao vírus, que causa graves problemas musculares, neurológicos e respiratórios.

Mas…“A mortandade em massa de leões marinhos sugere que pode haver transmissão de mamífero para mamífero, embora não possamos confirmar isso”, explica Mariana Leguia, do Laboratório de Genômica da Pontifícia Universidade Católica do Peru em Lima. “Obviamente, isso é preocupante, porque se trata de um vírus com potencial patogênico para humanos”, pontua Leguia.