Dados do Observatório Econômico do CIC mostram saldo positivo de 1.007 empregos. Bento é o 12º em geração de empregos no RS no período, no entanto, ficou 36,7% abaixo do mesmo período de 2025
A geração de empregos em Bento Gonçalves perdeu força no primeiro semestre de 2026. Conforme levantamento do Observatório Econômico (OECON), do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), o município encerrou o período com saldo positivo de 1.007 vagas formais, resultado 36,7% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

Apesar da desaceleração, Bento Gonçalves ficou na 12ª posição entre os municípios gaúchos que mais criaram empregos no semestre. Em junho, o saldo foi de 92 vagas, impulsionado principalmente pela construção civil.
Construção foi o destaque na geração de vagas
A construção civil foi o único grande setor a manter um ritmo consistente de contratações. Somente em junho, foram abertas 52 vagas, sendo 46 delas concentradas nos segmentos de construção de edifícios e serviços especializados.
No acumulado do semestre, a construção soma 339 empregos, crescimento de 12,3% em comparação com o mesmo período de 2025. O segmento de obras de infraestrutura lidera o desempenho, com 201 novas vagas, o maior saldo entre todas as atividades econômicas analisadas.
Outro diferencial apontado pelo estudo é a permanência dos trabalhadores. Na construção, o tempo médio de emprego é de 12,3 meses, índice próximo às médias estadual e nacional.
Indústria reduz ritmo de contratações
Embora continue sendo o setor que mais gerou empregos formais na cidade, a indústria apresentou forte desaceleração.
Entre janeiro e junho, foram criadas 364 vagas, resultado 52,5% inferior ao registrado no primeiro semestre do ano passado. Em junho, a fabricação de produtos de borracha e plástico abriu 38 vagas, mas a indústria de alimentos acumulou saldo negativo de 33 postos no semestre.
Somados, indústria e serviços registraram uma redução de 62% na geração de empregos em junho na comparação com o mesmo mês de 2025.
Serviços e comércio também desaceleram
O setor de serviços fechou junho com saldo negativo de 11 vagas, apesar das 38 contratações nas atividades ligadas à saúde humana.
No acumulado do semestre, o segmento soma 208 empregos, desempenho 51,7% inferior ao do ano passado.
Já o comércio apresentou o melhor crescimento percentual em relação a 2025, com alta de 36,9% e saldo de 115 vagas no semestre. Mesmo assim, perdeu ritmo em junho, quando encerrou o mês com saldo negativo de 18 empregos.
Bento mantém mais de 51 mil empregos formais
Ao final de junho, Bento Gonçalves contabilizava 51.207 trabalhadores com carteira assinada, número 2% superior ao registrado no encerramento de 2025, embora abaixo dos mais de 52 mil empregos alcançados em fevereiro.
O levantamento também mostra crescimento no número de Microempreendedores Individuais (MEIs). O município soma 13.871 registros ativos, aumento de 2,1% em relação ao fim do ano passado.
Atualmente, a cidade possui aproximadamente um MEI para cada 3,7 trabalhadores formais.
Tendência acompanha cenário nacional
Segundo o OECON, a desaceleração da geração de empregos não é exclusiva de Bento Gonçalves. No primeiro semestre, o Brasil registrou redução de 25% no ritmo de criação de vagas, enquanto o Rio Grande do Sul apresentou queda ainda mais intensa, de 45,9%.
Com base na série histórica iniciada em dezembro de 2019, a projeção do Observatório Econômico indica que Bento Gonçalves poderá alcançar cerca de 51,7 mil empregos formais até o mês de julho.





