Apesar do avanço do PIB e queda histórica no desemprego, alta nos preços básicos reduz poder de compra
O Brasil encerrou 2024 com um crescimento de 3,4% no Produto Interno Bruto (PIB), a maior alta desde 2021, segundo dados oficiais. O desemprego também atingiu seu nível mais baixo desde o início da série histórica do IBGE, com um recorde de pessoas ocupadas no mercado de trabalho. Apesar dos números positivos, o sentimento da população segue distante do otimismo.
Estudos mostram que, mesmo com o aumento da renda média real dos trabalhadores, o orçamento das famílias brasileiras permanece pressionado pelos altos custos dos itens essenciais. A inflação de produtos básicos, como alimentos, água, luz e transporte, cresceu 5,8% em 2024 — acima do índice geral de inflação, que ficou em 4,8%. Para as famílias das classes D e E, as mais impactadas, quase 80% da renda foi comprometida por esses gastos no final do ano passado.
De acordo com levantamento da Tendências Consultoria, a renda disponível após os custos básicos caiu de 42,45% para 41,87% em um ano, reforçando uma trajetória de perda de poder de compra iniciada há mais de uma década. “Apesar de um mercado de trabalho bom e crédito acessível, a alta nos preços básicos limita o consumo das famílias”, analisa a economista Isabela Tavares.
Esse aperto no orçamento doméstico ajuda a explicar por que a percepção da população segue negativa. Pesquisa do Datafolha revelou que o otimismo dos brasileiros para 2025 está no menor patamar desde 2020, e a aprovação do governo Lula (PT) caiu de 35% para 24% nos últimos meses — o pior índice de seus três mandatos.
Para especialistas, o governo depende diretamente do controle da inflação para tentar reverter esse cenário. O Banco Central tem apostado na alta da taxa de juros como ferramenta para conter o avanço dos preços e aliviar a pressão sobre o consumo das famílias.





