El Niño ganha força antes do previsto e meteorologistas alertam para risco de enchentes, temporais e mudanças no frio no Rio Grande do Sul
Meteorologistas passaram a monitorar com atenção a evolução do El Niño após novos sinais de fortalecimento antecipado do fenôeno climático em 2026. A mudança nas condições do Oceano Pacífico elevou o alerta principalmente no Sul do Brasil, onde os impactos costumam ser mais intensos durante o inverno.
Em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, órgãos de monitoramento climático já indicam aumento no risco de temporais, chuvas persistentes e enchentes entre junho e julho.

A preocupação aumentou porque o fenômeno, inicialmente previsto para ganhar força apenas na primavera, começou a apresentar sinais ainda durante o inverno, alterando projeções meteorológicas para os próximos meses.
NOAA eleva projeção
O Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, ligado à Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, a NOAA, elevou nesta quinta-feira (14) para 82% a probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho de 2026.
A nova estimativa representa um salto importante em relação ao boletim divulgado em abril, quando a probabilidade era de 61% para o mesmo período.
Segundo os dados divulgados pelo órgão norte-americano, também existe 96% de chance de o fenômeno permanecer ativo até o trimestre entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Especialistas avaliam que a antecipação do aquecimento do Oceano Pacífico pode provocar mudanças importantes no padrão climático do Brasil ainda durante o inverno.
Chuvas extremas
O meteorologista Piter Scheuer afirmou que o El Niño de 2026 deverá ser considerado “muito forte” e pode evoluir para um “super El Niño”.
“Isso pode promover eventos extremos, como episódios de chuvas muito fortes, volumosas e que podem reforçar episódios de enchentes, alagamentos, enxurradas e deslizamento de terra”, alertou Scheuer.
Segundo o meteorologista, o auge do fenômeno deve ocorrer durante a primavera, quando o fluxo de umidade vindo da Amazônia tende a se deslocar para a Região Sul.
Para o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho, da Climaterra, o fenômeno já começou a se desenvolver no oceano e atualmente estaria em estágio moderado.
“A confiança, para mim, é 100%. Não tem nem o que discutir. O fenômeno já começou e vai atingir seu ponto máximo entre o inverno e a primavera”, afirmou Coutinho.
De acordo com Scheuer, os efeitos devem começar primeiro no Rio Grande do Sul e depois avançar gradualmente para Santa Catarina e Paraná.
“O auge será na primavera, entre setembro, outubro e novembro”, prevê.
Frio menos intenso
Além do aumento das chuvas, especialistas também indicam mudanças no comportamento do frio durante o inverno de 2026.
Embora massas de ar polar ainda avancem sobre a Região Sul, os episódios de frio intenso tendem a ser menos frequentes e menos duradouros ao longo do ano.





