Índice subiu 6,54% em 2024, após queda no ano anterior. Média de alta nos contratos é ainda maior
Com o avanço do IGP-M ao longo deste ano – o indicador fechou em 6,54% em 2024 – o preço do aluguel está no radar de grande parte das famílias brasileiras, já que o índice serve de base para muitos contratos. Quem não tem imóvel próprio já sabe que a aceleração significa reajuste salgado, especialmente porque no ano anterior o indicador fechou em uma baixa histórica de 3,18%. Por isso, para especialistas, o ideal é sentar com o proprietário do imóvel e renegociar para tentar algum alívio no bolso
Estudo de inteligência imobiliária da Apsa, uma das principais gestoras de propriedades urbanas no Rio, sobre o custo de aluguéis na capital fluminense registrou aumento médio de 9,91% entre dezembro do ano passado e novembro deste ano, último dado disponível. Ou seja, a cobrança está acima do desempenho do índice.
Mostre que cuida bem do imóvel
Na hora da conversa com o proprietário, alguns trunfos podem ser usados pelo inquilino para tentar amenizar o reajuste.
— Vivemos um momento de valorização no mercado de aluguel, sendo a percepção do proprietário favorável a valorizar ou aumentar o preço cobrado. Até porque o IGP-M e o IPCA também avançam. A minha sugestão, com enfoque no inquilino, é que ele apresente o quanto cuida bem do imóvel, que não atrasa o aluguel, que deseja continuar nele por mais tempo, faz pequenos ajustes e reformas do próprio bolso, ou seja, o quanto ele conserva bem o patrimônio daquele proprietário — diz Leonardo Schneider, diretor superintendente da Apsa e vice-presidente do Secovi Rio.
Conheça o mercado local
Segundo Schneider, outra opção seria utilizar análises, tendências e olhar alguns portais para verificar como está o preço médio na região:
— Buscar informações de mercado que ajudem a balizar uma boa negociação com o proprietário e que evite algum tipo de pedido de ajuste absurdo. Vale lembrar que essa relação proprietário-inquilino vem, desde a pandemia, muito estável, e isso é favorável nesse momento.
Inflação futura pode afetar negociação
A corretora Silvia Soares, da Soares Corretora, lembra que a tendência é de aumento de preços nos próximos anos por conta do avanço do dólar, o que tende a impactar a inflação geral e os contratos dos alugueis. Por isso, Silvia lembra que o importante é tentar estabelecer uma negociação com o proprietário e a corretora.
Veja algumas outras dicas:
Moro de aluguel, o que fazer?
Caso o reajuste do aluguel pelo IGP-M impacte o orçamento familiar, a recomendação é procurar a corretora ou o proprietário para negociar o reajuste anual por uma taxa mais razoável.
Sou proprietário, o que fazer?
O reajuste pelo IGP-M é uma prerrogativa do proprietário, caso esteja em contrato. A imposição, porém, pode inviabilizar a permanência do locatário no imóvel, acarretando custos para manter o imóvel desocupado.
Como negociar o valor do aluguel?
Procure negociar com o dono do imóvel ou a administradora se é possível alterar o índice de reajuste do aluguel. Durante a pandemia, muitos inquilinos conseguiram trocar o IGP-M pelo IPCA de forma a evitar altas tão elevadas no reajuste anual. Sempre vale negociar, diz a corretora Silvia Soares.
E se não houver acordo?
Caso o inquilino se recuse a pagar o valor proposto pelo proprietário, ele deve pedir a rescisão do contrato, com o pagamento de multa.
Qual é o valor da multa?
Os valores são definidos em contrato. A prática do mercado é fixá-la em três vezes o valor do aluguel, com cobrança proporcional ao tempo que falta para o encerramento do contrato. Também é praxe estipular isenção dessa multa após o 12º mês.
O proprietário pode exigir a desocupação do imóvel?
Em condições normais, não. O contrato oferece certa proteção ao inquilino, mas em caso de descumprimento, como o não pagamento do aluguel, o proprietário pode abrir uma ação de despejo, que dá prazo de 15 ou 30 dias para a desocupação do imóvel.





