Saúde mental passa a entrar na fiscalização das empresas a partir desta terça

Saúde mental passa a entrar na fiscalização das empresas a partir desta terça

Nova versão da NR-1 inclui burnout, ansiedade e depressão entre os riscos que deverão ser monitorados no ambiente de trabalho.

A saúde mental dos trabalhadores passa a integrar oficialmente as regras de segurança e saúde ocupacional no Brasil a partir desta terça-feira com a atualização da NR-1, norma do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A mudança obriga empresas de todos os portes a monitorarem fatores de risco psicossocial ligados ao ambiente de trabalho, como:

  • sobrecarga de tarefas
  • metas excessivas
  • jornadas exaustivas
  • assédio moral
  • cobranças abusivas

A atualização ocorre em meio ao aumento dos afastamentos por transtornos mentais no país.

Segundo dados do Ministério da Previdência Social, somente em 2025 foram concedidos 546.254 benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais, como ansiedade, depressão e burnout.

O número representa alta de 15,7% em relação a 2024.

Custo bilionário

Os afastamentos geraram gasto próximo de R$ 1 bilhão ao INSS, conforme levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt).

Entre os casos mais recorrentes estão episódios depressivos e transtornos de ansiedade, principalmente entre mulheres, que receberam 63,5% dos benefícios concedidos no período.

Levantamento da consultoria Mercer Marsh Benefícios, realizado com empresas que somam cerca de 5 milhões de trabalhadores, identificou 2,3 milhões de afastamentos entre 2022 e 2025, tendo a saúde mental como a terceira principal causa.

Fiscalização e multas

A nova NR-1 determina que empresas adotem medidas preventivas para reduzir riscos psicossociais.

A fiscalização levará em conta:

  • documentos internos
  • treinamentos
  • entrevistas
  • denúncias
  • análise do ambiente de trabalho
  • participação dos funcionários nas ações preventivas

O descumprimento poderá gerar multas.

Nos primeiros 90 dias, porém, o Ministério do Trabalho informou que haverá caráter orientativo na primeira visita dos fiscais.

Mudança afeta empresas de todos os tamanhos

As regras passam a valer tanto para grandes corporações quanto para pequenos negócios.

Especialistas apontam que a nova exigência também pode reduzir ações trabalhistas relacionadas a assédio moral e adoecimento psicológico.

Entre 2020 e 2025, mais de 601 mil ações por danos morais ligados a assédio moral foram registradas na Justiça do Trabalho.

Prevenção

A norma não determina ações específicas, mas especialistas apontam caminhos que podem ser adotados pelas empresas, como:

  • treinamentos para lideranças
  • canais seguros de denúncia
  • apoio psicológico
  • revisão de metas e cargas de trabalho
  • fortalecimento das CIPAs

A atualização da NR-1 também amplia a possibilidade de reconhecimento de doenças mentais como enfermidades relacionadas ao trabalho, o que pode impactar benefícios previdenciários e custos das empresas com o Fator Acidentário de Prevenção (FAP).

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