Há 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva: são alvos CEO e ex-sócio do Grupo Fictor que tentou comprar o Banco Master momentos antes da prisão de Daniel Vorcaro
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (25/3), uma operação para desarticular organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, que podem superar os R$ 500 milhões.
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Agentes foram às ruas para cumprir 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia, na Operação Fallax.
ntre os alvos está o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis. Ele sofreu buscas. Também há mandado de busca e apreensão contra Luiz Rubini, um ex-sócio do Fictor. Além do Fictor, o Comando Vermelho também usava o esquema de lavagem de dinheiro, segundo a investigação.
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Quase R$ 50 milhões em bloqueio de bens
Para a operação desta quarta-feira, também foi determinado o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até R$ 47 milhões, visando descapitalizar a organização criminosa.
Foram autorizadas ainda medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.
A investigação começou em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas, segundo a PF.
“O grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas, inclusive vinculadas a grupo econômico específico, para a movimentação de valores e para a ocultação de recursos ilícitos”, diz a PF em nota.
De acordo com as investigações, a organização usava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e em criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de estelionato qualificado, de lavagem de dinheiro, de gestão fraudulenta, de corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
Fictor tentou comprar o Master
O Fictor está no escândalo do Banco Master. O grupo anunciou a compra da instituição de Daniel Vorcaro em novembro, com aporte imediato de R$ 3 bilhões e participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos, até hoje desconhecidos.
Agentes desconfiam que o negócio visava camuflar a fuga de Vorcaro, que foi preso no mesmo dia, no aeroporto de Guarulhos, quando embarcaria em um jato privado. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o Master.
Em fevereiro, o Fictor entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com dívidas de R$ 4 bilhões, das empresas Fictor Holding e Fictor Invest, pertencentes ao grupo.
O Fictor tem negócios em setores como alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis. Fundado em 2007, diz ter cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).





