Complexo industrial em Monte Belo do Sul tem 136,6 mil m² de terrenos, mais de 40 mil m² construídos, máquinas, equipamentos, estoques e estrutura comercial. Falência foi decretada após rejeição da recuperação judicial
A Ditália terá sua fábrica de móveis em Monte Belo do Sul levada a leilão em 10 de novembro de 2026, com lance inicial de R$ 48 milhões. A unidade continua em funcionamento mesmo após a falência do grupo, decretada pela Justiça em 3 de junho deste ano, e mantém 101 funcionários. A empresa acumula dívida de aproximadamente R$ 85 milhões.

A venda abrange um complexo industrial completo, estruturado como Unidade Produtiva Isolada (UPI). A proposta é transferir o conjunto de bens e a operação industrial e comercial, em vez de promover apenas a venda separada dos imóveis e equipamentos.
O leilão será conduzido pelo leiloeiro oficial Norton Jochims Fernandes, por meio da plataforma Grandes Leilões. A venda está sujeita às condições do edital e à homologação judicial.
Complexo tem 136,6 mil m² de terrenos
A fábrica está localizada na Estrada da Vindima, com acesso pela rodovia RS-444, no quilômetro 26, em Monte Belo do Sul. O complexo ocupa uma área total de 136.650 m², distribuída em dois imóveis registrados no Registro de Imóveis de Bento Gonçalves.
A matrícula nº 44.864 corresponde aos lotes rurais nº 53 e 55, com 90 mil m² e avaliação patrimonial de R$ 2.583.642,41. Já a matrícula nº 47.151 corresponde ao lote nº 57, com 46.650 m² e avaliação de R$ 1.339.187,98.
As edificações somam 40.197,59 m² de área construída indicada nos laudos. Desse total, 38.989,17 m² estão averbados no registro imobiliário, enquanto 262,05 m² são apontados como não averbados. A área efetivamente aproveitável foi estimada em aproximadamente 87.700 m². Cerca de 48.950 m², equivalentes a 35,8% da gleba, correspondem a áreas de preservação permanente identificadas em vistoria técnica realizada em 10 de julho de 2026.
A estrutura inclui prédios administrativos, instalações fabris, manutenção, central de resíduos, casa de máquinas, subestação, refeitório, portaria, estacionamentos, pavimentação industrial e outras benfeitorias. O prédio administrativo Capoani tem cinco pavimentos e área de 5.248,80 m².
Máquinas, veículos e estoques integram a venda
O lote inclui o parque produtivo e os bens móveis utilizados na atividade industrial. A relação patrimonial contempla 235 máquinas e equipamentos para fabricação de móveis, dois veículos, 1.530 móveis e utensílios e 141 equipamentos de informática, entre computadores, notebooks e monitores.
Também fazem parte da operação os estoques de matérias-primas, produtos em elaboração e produtos acabados. A posição apurada em 31 de maio de 2026 era de R$ 6.581.375,62, valor sujeito à conferência conforme as condições previstas para a transferência.
A unidade produz móveis com predominância de madeira e está organizada para funcionar em turno único. O conjunto anunciado também contempla a estrutura de comercialização direta ao consumidor por plataformas de comércio eletrônico, a marca Ditália e os direitos cuja transferência seja legalmente possível e autorizada no processo.
A estrutura digital de vendas teve participação relevante no negócio. Conforme a descrição comercial do ativo, a loja oficial verificada na principal plataforma de comércio eletrônico respondeu por 90,9% da receita combinada de 2025. O resultado apurado naquele ano, líquido das locações recíprocas entre sociedades consolidadas, foi de R$ 1.587.491.
Parte da área construída é objeto de locação a uma empresa do mesmo grupo econômico que não integra a massa falida. Essa relação deverá ser considerada conforme as condições e os limites descritos nos documentos da alienação.
Falência foi decretada após rejeição da recuperação judicial
A falência do Grupo Ditália foi decretada em 3 de junho de 2026, depois que os credores rejeitaram o plano de recuperação judicial em assembleia. O processo tramita na Vara Regional Empresarial da Comarca de Caxias do Sul, sob o número 5007531-46.2021.8.21.0005.
A unidade produtiva reúne ativos vinculados principalmente à Ditália Móveis Industrial Ltda. e à CZ Comércio de Móveis Ltda., além de bens oriundos de outras empresas integrantes do grupo econômico. A consolidação patrimonial contempla sociedades como Cozy Indústria e Comércio de Móveis Ltda., Caop Indústria e Comércio de Móveis S/A, Deivid Empreendimentos Imobiliários Eireli, DTL Participações Societárias Ltda. e Ditália Produção e Logística Ltda.
A modalidade de venda como UPI busca possibilitar a continuidade da atividade econômica por um eventual comprador. A aquisição, porém, não corresponde à compra isolada de uma única sociedade falida, mas de um conjunto organizado de ativos destinado à continuidade industrial e comercial.
Apesar da situação judicial, os pagamentos a trabalhadores e fornecedores estão sendo mantidos em dia. O quadro atual é de 101 funcionários, diante de um histórico em que a empresa chegou a empregar 600 pessoas. A manutenção futura dos postos de trabalho dependerá do resultado da venda e das decisões do eventual novo operador.
Empresa começou em Bento Gonçalves
A Ditália foi fundada em 1990, em Bento Gonçalves. A produção começou em uma sala de 70 m², com fabricação de estofados. Com a expansão dos negócios, a empresa transferiu sua fábrica para Monte Belo do Sul e ampliou a estrutura industrial.
Agora, o complexo será oferecido por lance inicial de R$ 48 milhões, valor inferior à dívida de aproximadamente R$ 85 milhões atribuída ao grupo. O valor de referência não representa necessariamente o preço final da venda.
Data e horário do leilão
A data anunciada para o leilão é 10 de novembro de 2026, com lance inicial de R$ 48 milhões. O procedimento está associado ao leiloeiro Norton Jochims Fernandes e à plataforma Grandes Leilões.





