Pesquisa indica que compensar noites mal dormidas ajuda a saúde mental de adolescentes e adultos jovens, embora não substitua uma rotina regular de sono
Compensar o sono perdido ao longo da semana durante os fins de semana não é a solução ideal, mas pode trazer benefícios relevantes para a saúde mental de adolescentes e jovens adultos. Um estudo publicado em novembro no Journal of Affective Disorders aponta que repor horas de sono nos dias de folga pode reduzir em até 41% os sintomas associados à depressão entre pessoas de 16 a 24 anos.
Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que a prática está longe de ser uma panaceia. Manter uma rotina regular de sono ao longo da semana pode mais que dobrar esse efeito, reduzindo os sintomas depressivos em 105%. Ainda assim, esse padrão é considerado um privilégio para poucos — especialmente entre adolescentes, cujos relógios biológicos tendem a entrar em conflito com os horários escolares.
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Quanto de sono é recomendado para jovens
De acordo com especialistas, adolescentes entre 16 e 17 anos precisam de 8 a 10 horas de sono por noite. Já jovens de 18 a 24 anos devem dormir entre 7 e 9 horas. A diferença está relacionada às mudanças no ciclo circadiano, o relógio biológico interno que regula quando e por quanto tempo o sono deve ocorrer.
Durante a adolescência, esse ciclo sofre um atraso natural de cerca de duas horas em relação ao de crianças e adultos. Com isso, o período ideal de sono tende a se concentrar entre 23h e 8h, um intervalo que entra em choque com o início da maioria das atividades escolares.
Base de dados e metodologia do estudo
O estudo se baseia em dados da National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), pesquisa realizada nos Estados Unidos entre 2021 e 2023. Os participantes registraram os horários em que iam dormir e acordavam ao longo da semana. Segundo os dados, cerca de 59% dos jovens relataram compensar o déficit de sono nos finais de semana.
Além disso, os participantes informaram como se sentiam emocionalmente. Aqueles que relataram tristeza ou depressão diária foram classificados como apresentando possíveis sintomas depressivos. Nos Estados Unidos, a depressão é um dos principais desafios de saúde mental entre jovens: cerca de 17% das pessoas entre 16 e 24 anos enfrentam episódios depressivos maiores todos os anos, com duração mínima de duas semanas.
Sono, saúde mental e fatores sociais
A relação entre sono e saúde mental é amplamente documentada pela ciência em diferentes fases da vida. Na adolescência, o tema se torna ainda mais sensível. Fatores como maior autonomia sobre os horários de dormir, intensificação da vida social, uso frequente de celulares e aumento da pressão acadêmica contribuem para a desregulação do sono.
“A adolescência é marcada por uma tendência natural ao comportamento noturno. Por isso, compensar o sono nos fins de semana pode oferecer algum nível de proteção quando não é possível dormir o suficiente durante a semana”, afirmou em comunicado a psicóloga Melynda Casement, coautora do estudo.
Peso corporal também influencia o risco
Os pesquisadores também identificaram uma associação entre saúde mental e peso corporal. Jovens com sobrepeso apresentaram um aumento de 92% no risco de sintomas depressivos, enquanto a obesidade esteve associada a um crescimento de 112% nesse risco, reforçando a interação entre sono, saúde física e bem-estar psicológico.
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Jetlag social e o impacto dos horários escolares
Esse descompasso entre o relógio biológico e as obrigações diárias é conhecido como jetlag social. No Brasil, o problema afeta 83,6% dos adolescentes, segundo uma pesquisa de 2025 publicada no periódico Sleep Health. Um dos principais fatores é o início precoce das aulas, muitas vezes antes das 7h30.
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Estudos recentes indicam que adiar o começo das atividades escolares em ao menos uma hora poderia trazer benefícios não apenas para o sono, mas também para o humor e o desempenho acadêmico dos estudantes. Especialistas reconhecem, porém, que mudanças nas grades horárias enfrentam obstáculos logísticos, como transporte, carga horária de professores e a rotina de trabalho das famílias.



