Projeto do Governo Lula, PEC da Câmara e do Senado diputam e divergem em horas semanais e dias de folga. Confira as diferenças
Atualmente existem duas PECs diferentes no Congresso que buscam alterar a jornada de trabalho — uma tramitando na Câmara dos Deputados e outra no Senado.
Já o projeto de lei apresentado pelo governo, por tramitar em regime de urgência, pode avançar de forma mais rápida e com menor espaço para obstrução nas comissões.
Em abril de 2026, o debate sobre o fim da escala 6×1 (trabalhar seis dias e folgar um) intensificou-se com a movimentação do Governo Federal em enviar seu próprio projeto ao Congresso, buscando acelerar a transição e se diferenciar da proposta inicial da Câmara (PEC da Erika Hilton).
Aqui está a descrição das duas principais frentes:
1. PEC da Câmara (PEC 8/2025 – Erika Hilton/VAT)
Foco: Mudança estrutural e definitiva na Constituição.
A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) no Brasil ganhou força no Congresso Nacional, com duas frentes distintas: a PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e o Projeto de Lei (PL) enviado pelo governo Lula em abril de 2026, ambos com o objetivo de reduzir a jornada semanal e garantir mais dias de folga.
Aqui está uma análise comparativa das duas propostas baseada nos fatos mais recentes até abril de 2026:
1. PEC 8/2025 (Erika Hilton/VAT) – “Vida Além do Trabalho”
Foco: Mudança Constitucional (mais rígida e duradoura).
Proposta: Estabelece jornada máxima de 36 horas semanais (atualmente é 44h), permitindo jornadas como 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso).
Status: A PEC recebeu forte apoio popular (liderada pelo Movimento VAT – Vida Além do Trabalho) e debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara em abril de 2026.
Análise: É uma proposta mais radical (maior redução de horas), o que agrada à base sindical e movimentos sociais, mas enfrenta maior resistência empresarial devido ao potencial custo de adaptação.
2. PL do Governo Lula (Abril 2026)
Foco: Projeto de Lei (tramitação mais rápida, pode ser alterado por outro PL).
Proposta: Visa reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de folga (modelo 5×2 ou 4×3), sem redução de salário.
Estratégia: Enviado em regime de urgência, o que obriga a Câmara a votar em até 45 dias.
Análise: O governo optou por uma proposta mais moderada (40h em vez de 36h) para tentar maior consenso, buscando “fazer valer a vontade dos trabalhadores” enquanto tenta acalmar o setor produtivo.
Comparativo e Análise Política
Pontos-chave da Análise:
Disputa Narrativa: A PEC de Hilton é mais popular, enquanto o PL de Lula é uma resposta direta à pressão popular, buscando controle político sobre a pauta.
Risco Econômico vs. Social: Entidades empresariais alertam para o aumento de custos, inflação e possível aumento do desemprego ou da informalidade com a redução da jornada. Defensores argumentam que o aumento da produtividade e bem-estar compensarão os custos.
A “Cizânia” na Base: O envio do PL do governo criou um certo atrito (“cizânia”) com a bancada que apoiava apenas a PEC, pois o PL pode “trancar a pauta” e esvaziar a PEC mais radical.
Conclusão: O cenário mais provável é uma fusão ou negociação onde o PL do governo servirá de base, dada a urgência e o maior consenso político, permitindo que a escala 6×1 acabe, mas talvez de forma gradual para atender o setor empresarial.
O debate continua intenso, com o setor do comércio (Fecomercio) pedindo maior cautela e o governo pressionando por celeridade.
Autor/Proponente: Deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
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Detalhes: Propõe a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução salarial, permitindo uma escala de 4 dias de trabalho e 3 de descanso (4×3), ou a eliminação da escala 6×1.
Tramitação: Protocolada com sucesso, recebeu forte apelo popular e tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com pautas de audiências públicas ao longo de 2025/2026.
| Característica | PEC Erika Hilton (8/2025) | PL Governo Lula (2026) |
|---|---|---|
| Natureza | Proposta de Emenda à Constituição | Projeto de Lei (PL) |
| Jornada | 36h (4×3) | 40h (5×2 ou 4×3) |
| Folgas | 3 dias | 2 dias |
| Salário | Sem redução | Sem redução |
| Tramitação | Mais lenta | Urgência (45 dias) |
2. Projeto de Lei do Governo Lula (PL)
- Formato: Projeto de Lei (PL) com urgência constitucional. O governo optou por um PL em vez de PEC para tentar uma tramitação mais rápida e direta.
- Proponente: Governo Luiz Inácio Lula da Silva, com articulação do Ministério do Trabalho e Emprego.
- Detalhes: Propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima para 40 horas semanais (em vez das 36h da PEC), mantendo o salário inalterado.
- Estratégia: O governo enviou o texto em abril de 2026 com o objetivo de unificar o debate e garantir a aprovação ainda no primeiro semestre, servindo como uma das principais pautas de sua gestão e popularidade.
- Foco: Negociação flexível, transição e aprovação mais rápida para valer no curto prazo.
Resumo das Diferenças (Abril 2026)
| Característica | PEC Erika Hilton (Câmara) | PL Governo Lula |
|---|---|---|
| Tipo | PEC (Emenda Constitucional) | PL (Projeto de Lei + Urgência) |
| Jornada Semanal | 36 horas (objetivo 4×3) | 40 horas (limite) |
| Salário | Sem redução | Sem redução |
| Tramitação | Mais lenta, maior rigor | Mais rápida, urgência |
| Foco principal | Mudança estrutural (VAT) | Viabilização política e rápida |
O posicionamento do governo é que o PL não é “rígido” e casos particulares serão negociados, buscando evitar o fim abrupto que, segundo setores do varejo, poderia aumentar o custo da hora trabalhada