Por trás do aumento da conta de luz, há um descompasso no sistema elétrico que o consumidor não vê, mas paga. . Cortes em usinas renováveis bateram recordes em 2025. Confira na reportagem
Conta de luz sobe com uso intenso de ar-condicionado e ventiladores
O consumo de energia elétrica cresce de forma acelerada no verão, impulsionado pelo uso contínuo de ar-condicionado, ventiladores e refrigeradores. Com ondas de calor mais frequentes, a pressão sobre a conta de luz se intensifica, especialmente nos horários de maior demanda.
O pico de consumo ocorre no fim da tarde e à noite, quando milhões de brasileiros chegam em casa e ligam equipamentos de refrigeração ao mesmo tempo.
Energia sobra de dia e falta no horário mais caro
O paradoxo do setor elétrico brasileiro ajuda a explicar por que a conta de luz fica mais pesada mesmo em um país com ampla oferta de energia renovável.
A maior parte da geração solar e eólica ocorre entre a manhã e o meio da tarde, quando o consumo é menor. À noite, quando o uso de energia aumenta, a produção solar praticamente desaparece e a eólica perde intensidade em várias regiões.
Esse descompasso eleva custos operacionais e pressiona as tarifas pagas pelo consumidor.
Cortes em usinas renováveis aumentam custos do sistema
Para evitar sobrecargas e apagões, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é obrigado a reduzir a geração de energia renovável em momentos de excesso de oferta. Esses cortes, conhecidos como curtailment, bateram recordes em 2025.
As usinas afetadas continuam obrigadas a cumprir contratos de venda e, em muitos casos, precisam comprar energia no mercado para substituir o que deixaram de produzir. Esses custos acabam sendo repassados ao sistema — e, no fim da linha, à conta de luz.
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Energia solar em casas amplia desafio para o setor
Outro fator que pressiona a conta de luz é o crescimento acelerado da geração distribuída, principalmente de painéis solares instalados em residências e comércios.
Hoje, essa modalidade soma cerca de 43 gigawatts de capacidade instalada e deve alcançar 65 GW até 2030. Embora reduza a fatura de quem gera a própria energia, ela aumenta a complexidade do sistema, já que essa produção não pode ser controlada pelo ONS.
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Falta de armazenamento mantém energia cara
Especialistas apontam que a ausência de sistemas de armazenamento em larga escala impede que o excesso de energia gerado durante o dia seja usado à noite, quando o consumo dispara.
Sem baterias ou outras soluções de flexibilidade, o sistema continua caro, ineficiente e mais vulnerável a oscilações — o que mantém a conta de luz sob pressão.
Impacto chega à inflação e ao emprego
O aumento da conta de luz não pesa apenas no orçamento doméstico. Ele se espalha pela economia, pressionando preços de produtos e serviços e reduzindo a competitividade da indústria.
O risco, segundo especialistas, é a combinação de tarifas mais altas, maior instabilidade do sistema elétrico e possibilidade de novos apagões, com efeitos diretos sobre renda e emprego.





