Dieta rica em gordura pode levar bactérias ao cérebro, aponta estudo

Dieta rica em gordura pode levar bactérias ao cérebro pelo nervo vago, aponta estudo

Pesquisa da Universidade Emory mostra que alimentação gordurosa altera microbiota e abre caminho direto para bactérias pelo nervo vago até o cérebro

Uma dieta rica em gordura pode permitir que bactérias do intestino cheguem diretamente ao cérebro por meio do nervo vago. A descoberta é de um estudo publicado recentemente na revista científica PLOS Biology que identificou o fenômeno em experimentos com camundongos.

O trabalho amplia o entendimento sobre a chamada conexão intestino-cérebro, sistema de comunicação entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso central. Até então, essa relação era explicada principalmente por sinais químicos, como hormônios, serotonina e metabólitos bacterianos.

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Novo mecanismo direto

Os pesquisadores observaram que bactérias vivas podem migrar fisicamente do intestino para o cérebro sem passar pela corrente sanguínea. O trajeto ocorre pelo nervo vago, que conecta diretamente esses dois sistemas.

Apesar da presença ser pequena, o fenômeno chama atenção por não se tratar de uma infecção clássica, mas de uma translocação silenciosa.

Dieta como gatilho

A migração bacteriana foi registrada em animais submetidos à chamada dieta de Paigen, rica em gorduras saturadas, colesterol e compostos que tornam o ambiente intestinal mais agressivo.

Esse padrão alimentar provocou disbiose, um desequilíbrio da microbiota, enfraquecendo a barreira intestinal. Com isso, bactérias conseguiram “vazar” e alcançar o cérebro.

Confirmadas como presentes no intestino dos mesmos camundongos, espécies como Staphylococcus xylosusStaphylococcus sciuri e Enterococcus faecalis tiveram sua identidade genética confirmada nas amostras cerebrais em 99,99% de similaridade, em uma concentração entre uma e mil células por órgão.

Evidência do caminho

Para confirmar o papel do nervo vago, os cientistas interromperam essa via em parte dos camundongos. O resultado foi uma redução de até 20 vezes na presença de bactérias no cérebro.

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Quando a dieta foi normalizada, as bactérias desapareceram progressivamente entre 14 e 28 dias, indicando que o processo pode ser reversível.

Relação com doenças

O estudo também analisou modelos animais de Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson e Transtorno do Espectro Autista. Mesmo com alimentação comum, esses animais já apresentavam maior permeabilidade intestinal e presença de bactérias no nervo vago e no cérebro.

Os autores levantam a hipótese de que essa migração bacteriana possa não apenas ser consequência, mas também contribuir para o desenvolvimento ou agravamento dessas condições.

Próximos passos

Os pesquisadores destacam que os resultados ainda se limitam a modelos animais. Estudos em humanos serão necessários para confirmar se o mesmo mecanismo ocorre.

Se comprovado, o achado pode abrir novas estratégias terapêuticas focadas no intestino, incluindo mudanças na dieta, uso de probióticos e tratamentos voltados à proteção da barreira intestinal.

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