Projeto piloto desenvolvido no Rio Grande do Sul acompanhará durante dois anos pacientes com obesidade grave para avaliar os efeitos do medicamento, a qualidade de vida e os custos do tratamento na rede pública.
Pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul começarão a receber medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo das chamadas canetas emagrecedoras, em um projeto piloto autorizado pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira (26).

A pesquisa, denominada Real-Bari, será conduzida pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, e envolverá 250 pacientes já acompanhados pela instituição, todos com diagnóstico de obesidade grave ou com doenças associadas.
Para participar do estudo, os pacientes precisam conviver com a obesidade há pelo menos 12 meses e apresentar falha comprovada no tratamento clínico convencional, incluindo dietas estruturadas e prática regular de atividade física por, no mínimo, dois meses. Também será necessário ter condições de realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com auxílio de um cuidador.
Ao longo de dois anos, os pesquisadores irão analisar indicadores como percentual de perda de peso, melhora na qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e os custos envolvidos no tratamento. O objetivo é verificar a efetividade, o impacto clínico e a viabilidade econômica do uso de medicamentos à base de GLP-1 no SUS.
Durante a cerimônia de lançamento do projeto, um paciente recebeu a primeira aplicação do medicamento.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil está entre os primeiros países a avaliar o uso desse tipo de medicamento na rede pública. Segundo ele, a experiência poderá contribuir para ampliar o conhecimento sobre a produção e a oferta segura da tecnologia, atualmente utilizada principalmente no tratamento do diabetes e da obesidade.
O protocolo de pesquisa foi elaborado pelo GHC em parceria com o Ministério da Saúde, prevendo acompanhamento contínuo dos participantes por equipes médicas especializadas.
Dados do hospital indicam que 91% dos pacientes com obesidade atendidos pela instituição apresentam a forma mórbida da doença e que apenas 47% reúnem condições para realizar cirurgia bariátrica.
O estudo será financiado com recursos repassados ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), provenientes de aporte financeiro da empresa fabricante do medicamento.





