Estado, que tem cerca de 78% de população branca, ainda é majoritariamente católico, mas Censo mostra avanço evangélico e crescimento das religiões de matriz africana no RS. Entenda por que lendo a reportagem

Segundo IBGE o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com a maior proporção de pessoas que declaram seguir umbanda e candomblé. Dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o estado lidera em termos proporcionais entre as unidades da federação.
Mesmo com uma população majoritariamente branca, o RS aparece à frente de estados tradicionalmente associados a essas religiões, como Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo.
Percentual de umbanda e candomblé no RS
O Rio Grande do Sul apresenta a maior proporção de adeptos de umbanda e candomblé no Brasil. Segundo o Censo 2022 do IBGE, cerca de 2,5% a 3% da população com 10 anos ou mais no estado declara seguir religiões de matriz africana.
Esse índice é várias vezes superior à média nacional, que fica abaixo de 1%, o que reforça a posição de destaque do estado nesse recorte.
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Na comparação com 2010, também se observa crescimento. Naquele período, o percentual de adeptos girava em torno de 1% a 1,5%, indicando que a presença dessas religiões praticamente dobrou ao longo da última década.
Comparação com outros estados
Rio Grande do Sul é o campeão em fiéis de matriz africana, mas não é o único estado com presença relevante. Os principais percentuais, segundo o Censo 2022 do IBGE, são os seguintes:
- Rio Grande do Sul: 3,2%
- Rio de Janeiro: 0,9%
- São Paulo: 0,3–0,4%
- Bahia: 0,3–0,4%
- Distrito Federal: 0,2–0,3%
Em termos absolutos, o Brasil contabilizou cerca de 4,1 milhões de pessoas que se declararam umbandistas ou candomblecistas em 2022, um aumento expressivo em relação a 2010, quando eram cerca de 1,5 milhão.
População negra e parda no RS
Segundo IBGE o Rio Grande do Sul tem uma das menores proporções de população preta e parda do país, atrás apenas de Santa Catarina. Segundo o Censo 2022 do IBGE, cerca de 78% da população se declara branca, enquanto aproximadamente 20% a 22% se identifica como preta ou parda.
Esse cenário ajuda a explicar uma característica particular do estado: mesmo com menor presença relativa de população negra e parda, há forte presença de religiões de matriz africana, o que indica expansão para além de grupos historicamente associados a essas tradições.mas também se expandem entre pessoas de outras origens, especialmente em contextos urbanos.
Comparação com outras religiões no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul segue sendo um estado de maioria católica, mas com diversidade religiosa crescente, marcada pelo avanço das igrejas evangélicas e pela forte presença de religiões de matriz africana.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, entre a população com 10 anos ou mais, o perfil religioso é aproximadamente o seguinte:
- Católicos: cerca de 60% a 62%
- Evangélicos: cerca de 25% a 27%
- Umbanda e candomblé: cerca de 2,5% a 3%
- Espíritas: cerca de cerca de 2%
- Sem religião: cerca de 8% a 10%
Nesse cenário, o estado apresenta três movimentos claros: o catolicismo segue dominante, mas em retração relativa; o número de evangélicos cresce de forma contínua; e as religiões de matriz africana se destacam por uma das maiores proporções do país, mesmo em um estado com menor presença relativa de população negra.
Cidades e municípios de maior concentração
O Censo 2022 do IBGE indica que o Rio Grande do Sul reúne diversos municípios com alta proporção de adeptos de religiões de matriz africana em relação à população local.
Um dos destaques é Cidreira, no Litoral Norte, onde o percentual de moradores que se declaram seguidores de umbanda e candomblé supera os 5%, colocando o município entre os mais representativos do país nesse recorte.
Além de Cidreira, o estado concentra outras cidades do litoral e da região metropolitana de Porto Alegre com presença significativa dessas religiões.
O padrão observado indica maior concentração em áreas urbanas e em regiões de transição entre cidade e interior, reforçando o papel desses espaços na expansão das religiões de matriz africana no estado.
Terreiros e espaços de resistência
O Censo 2022 não registra diretamente o número de terreiros, mas os dados de população e domicílios permitem inferir que o RS possui dezenas de milhares de espaços de culto de umbanda e candomblé distribuídos em cidades do interior, do litoral e da Grande Porto Alegre.
Um dos símbolos mais marcantes dessa presença é o Mercado Público de Porto Alegre, espaço historicamente ligado aos trabalhadores portuários e à população negra.
No início do século XX, o príncipe de Ajudá, na Guiné, que no Brasil adotou o nome José Custódio Joaquim de Almeida e ficou conhecido como Príncipe Custódio, instalou ali a presença do Bará, orixá associado ao movimento, à mudança, à virilidade e à sexualidade, tornando o local um ponto de referência religiosa e de memória afro‑brasileira.




