Vaticano inicia período de transição enquanto especialistas apontam possíveis nomes para liderar 1,3 bilhão de católicos no mundo
O Papa Francisco morreu na manhã desta segunda-feira (21/4), aos 88 anos, conforme anunciado pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo do Vaticano. O comunicado oficial informou que o falecimento ocorreu às 7h35 (horário local), encerrando um pontificado de mais de 11 anos que reformulou diversos aspectos da Igreja Católica.
Com a morte do pontífice, a Igreja Católica precisa agora organizar o conclave para escolha do novo papa. Este processo, que deve ocorrer entre 15 e 20 dias após o falecimento, reunirá apenas cardeais com menos de 80 anos, que terão direito a voto em uma votação secreta e rigorosa.
O conclave — termo derivado do latim cum clavis, que significa “com chave” — faz referência ao isolamento dos cardeais durante todo o processo de escolha. Para que um candidato seja eleito papa, é necessário obter dois terços dos votos, o que pode exigir várias rodadas de votação.
Quem são os favoritos?
Os principais candidatos ao papado vêm de diferentes continentes. Entre os mais cotados está o italiano Matteo Zuppi, arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana. Próximo a Francisco, Zuppi tem se destacado como enviado papal em negociações de paz.
Outro nome forte é o filipino Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila. Popular e considerado um continuador das reformas de Francisco, ele é visto como uma opção para fortalecer a presença da Igreja na Ásia.
O cardeal ganês Peter Turkson também aparece entre os favoritos. Com uma longa trajetória na Cúria Romana e defensor de pautas ligadas à justiça social, ele poderia se tornar o primeiro papa negro da história. Já o húngaro Péter Erdő, membro do Conselho para a Economia da Santa Sé, é outro nome cogitado, embora sua candidatura dependa do cenário político dentro do conclave.
E os brasileiros?
A eleição de Francisco marcou a forte influência da América Latina na Igreja, tornando-o o primeiro papa latino-americano. Embora o cenário atual seja menos favorável para brasileiros, alguns nomes são citados como possíveis candidatos.
Com a recente nomeação de novos cardeais, incluindo dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, o Brasil conta com sete eleitores no conclave. Além de Spengler, dom Leonardo Steiner e dom Paulo Cezar Costa têm direito a voto e podem estar entre as opções para o papado.
Eles podem ter alguma vantagem porque Francisco moldou o Colégio de Cardeais ao longo de seu pontificado, nomeando cerca de 80% dos eleitores que participarão do conclave. É um fator que pode influenciar a escolha do próximo papa.




