Brasil atinge menor taxa de homicídios em 31 anos, mas violência cresce em três estados

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Atlas da Violência 2025 aponta redução geral no país, mas crescimento de casos no Amapá (41%), Pernambuco (8%) e Rio de Janeiro (13%)

O Brasil registrou 45.747 homicídios em 2023, correspondendo a uma taxa de 21,2 mortes por 100 mil habitantes – a menor da última década, segundo o Atlas da Violência 2025, divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

No ano de 2023, a violência matou 45.747 pessoas no Brasil, uma média de 125 mortes por dia. O número registra uma redução de 1,4% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizadas 46.409 mortes violentas.

Tendência de queda com exceções estaduais

O estudo faz comparativos desde 2013, quando o número de mortes chegou a 57.396. Ou seja, de lá para cá, houve redução de 20,3% na quantidade de homicídios. O ano com mais casos foi 2017, com 65.602 homicídios. O menor, 2019, registrou 45.503 mortes.

Em 2023, 20 estados apresentaram taxa de homicídio por 100 mil habitantes superior à média nacional, com destaque negativo para Amapá (57,4), Bahia (43,9) e Pernambuco (38).

Durante o período analisado, alguns estados registraram aumentos significativos nos números de homicídios. O Amapá teve alta de 41%, enquanto Pernambuco apresentou crescimento de 8% e o Rio de Janeiro registrou aumento de 13%, contrastando com a tendência nacional de redução.

Jovens são quase metade das vítimas

No ano de 2023, homicídios tiraram a vida de 21,8 mil jovens de 15 a 29 anos. Isso representa uma média de 60 assassinatos por dia ou cinco a cada duas horas. A morte violenta de jovens representou praticamente metade (47,8%) de todos os homicídios no Brasil em 2023. A morte violenta foi também a principal causa de óbito na população de 15 a 29 anos. De cada 100 pessoas que morreram nessa faixa etária, 34 foram vítimas de homicídio. Os homens representam 93,5% dos registros.

Violência por arma de fogo

O Atlas da Violência revela que 32.749 homicídios foram cometidos por arma de fogo no país, equivalendo a 15,2 mortes por arma de fogo a cada 100 mil habitantes. Isso representa que 71,6% das mortes violentas no país foram praticadas com esse tipo de armamento. Amapá (48,3), Bahia (36,6) e Pernambuco (30,8) são os estados com as maiores taxas, enquanto se destacam positivamente São Paulo (3,4), Santa Catarina (4,4), Distrito Federal (5,3) e Minas Gerais (8,3).

Mulheres e outros grupos vulneráveis

A análise por unidades da federação mostra onde a vida das mulheres enfrenta maior risco. Em Roraima, a taxa de homicídio feminina (10,4) foi o triplo da brasileira. Na sequência aparecem Amazonas, Bahia e Rondônia, todos com indicador de 5,9 homicídios por 100 mil habitantes. As unidades da federação com taxas mais baixas foram São Paulo (1,6), Minas Gerais (2,6) Distrito Federal (2,7) e Santa Catarina (2,8).

Em relação à população LGBTQIAPN+, em 2023, os casos de violência contra homossexuais e bissexuais registrados no sistema de saúde aumentaram 35% em relação ao ano anterior, passando de 14,5 mil em 2022 para 19,6 mil no ano de referência do Atlas. Já registros de violência contra pessoas transsexuais e travestis aumentaram 43%, indo de 3,8 mil para 5,5 mil.

Homicídios ocultos

Os pesquisadores do Ipea e do FBSP chamam de “homicídios ocultos” os casos de violência que não foram adequadamente identificados pelos sistemas oficiais. No período compreendido entre 2013 e 2023, identificaram a ocorrência de 51.608 homicídios ocultos no Brasil, uma média anual de 4.692 homicídios que deixaram de ser contabilizados.

Com o acréscimo desses dados, a taxa estimada de homicídios no país chega a 23 casos por 100 mil habitantes. São Paulo é o caso mais extremo: em 2023, o estado deixou de registrar 2.277 homicídios. Dessa forma, enquanto a taxa de homicídios registrados era de 6,4 para cada 100 mil habitantes, a estimada naquele ano era de 11,2.

Fatores da redução histórica

O pesquisador Daniel Cerqueira, do Ipea, explica que dois fatores principais justificam essa tendência decrescente. Um é o envelhecimento da população, uma vez que jovens são mais associados à violência. O outro é uma “revolução invisível” nas políticas públicas de segurança, com a atuação policial mais qualificada e baseada em inteligência, planejamento e dados científicos, em substituição ao modelo baseado apenas no policiamento ostensivo.

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