Mão de obra: 80% das empresas têm dificuldade para preencher vagas no Brasil

Mão de obra: 80% das empresas têm dificuldade para preencher vagas no Brasil

Mão de obra qualificada virou o principal desafio para empresas brasileiras, e a FIERGS alerta que a escassez já afeta 85,5% das indústrias gaúchas.

Mercado

A falta de mão de obra deixou de ser um problema pontual e passou a representar um dos principais desafios para a economia brasileira. Hoje, oito em cada dez empregadores relatam dificuldades para preencher vagas, mesmo em um cenário de desemprego próximo das mínimas históricas.

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O dado é da Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, realizada com 1.020 empresas brasileiras. Segundo o levantamento, 80% dos empregadores afirmam enfrentar dificuldades para contratar profissionais, percentual superior à média mundial, de 72%. O índice brasileiro permanece praticamente estável desde 2023, indicando que a escassez de talentos se tornou um fenômeno estrutural, e não mais conjuntural.

O cenário cria um paradoxo no mercado de trabalho: empresas mantêm milhares de vagas abertas enquanto encontram cada vez mais dificuldade para localizar candidatos com o perfil técnico exigido.

Qualificação

Especialistas apontam que o maior descompasso ocorre nas funções que exigem formação técnica ou ensino superior. Dados da consultoria Robert Half indicam que a taxa de desocupação entre profissionais com diploma universitário é significativamente inferior à média nacional, demonstrando que boa parte dos trabalhadores qualificados já está empregada.

Além da qualificação, mudanças no comportamento dos trabalhadores também influenciam esse cenário. Modelos híbridos e remotos, jornadas mais flexíveis, qualidade de vida e oportunidades de crescimento passaram a ter peso semelhante ao salário na decisão por uma vaga.

Outro fator citado por especialistas é a expansão do trabalho autônomo e por aplicativos, principalmente entre profissionais mais jovens, que muitas vezes optam por atividades com maior flexibilidade em vez do emprego formal tradicional.

A transição demográfica também aumenta a pressão sobre o mercado. Com a redução da taxa de natalidade e o envelhecimento da população, o Brasil passa a registrar um ingresso menor de jovens na força de trabalho.

Setores

A escassez de profissionais atinge praticamente todos os segmentos da economia, mas é mais intensa em áreas como tecnologia, saúde, comércio, logística, infraestrutura e indústria. Funções ligadas à inteligência artificial, cibersegurança, engenharia, manutenção industrial e operação de máquinas estão entre as mais difíceis de preencher.

Para reduzir o impacto da falta de profissionais, muitas empresas passaram a rever os processos seletivos, flexibilizar requisitos de contratação e investir em programas próprios de capacitação e desenvolvimento interno.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a realidade acompanha o cenário nacional, mas apresenta desafios ainda maiores para a indústria. Levantamento do Sistema FIERGS mostra que a falta de trabalhadores qualificados já afeta 85,5% das indústrias gaúchas, o maior índice já registrado pela entidade.

A pesquisa revela que a escassez é especialmente crítica nas áreas de produção. Entre as empresas consultadas, 94% relatam dificuldade para contratar operadores de produção e 89% enfrentam problemas para encontrar técnicos especializados, como eletricistas, mecânicos e soldadores.

Segundo a FIERGS, a carência de profissionais reduz a produtividade, dificulta a expansão da produção e compromete a competitividade das empresas. Como resposta, 94,5% das indústrias afirmam adotar medidas para enfrentar o problema, sendo a principal delas a capacitação interna de trabalhadores. Também ganham espaço políticas de retenção de talentos, melhorias em salários e benefícios e parcerias com instituições de ensino, especialmente o Senai.

Construção civil

A construção civil também convive com escassez de profissionais. Entidades do setor relatam dificuldades recorrentes para preencher vagas operacionais, situação atribuída ao envelhecimento da mão de obra, à menor entrada de jovens na atividade e à concorrência com ocupações que oferecem maior flexibilidade de jornada.

O resultado é uma disputa crescente por trabalhadores qualificados. Em diversos segmentos, empresas passaram a investir mais em planos de carreira, treinamento e benefícios para atrair e manter profissionais em um mercado cada vez mais competitivo.

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