Covid-19: ter filhos pequenos protege contra formas graves da doença, mostra estudo

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Além de manter o calendário vacinal em dia, há uma outra realidade surpreendente que pode oferecer proteção contra formas mais graves da Covid-19: ter filhos pequenos em casa. A descoberta faz parte de um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Os autores explicam que a resposta para a menor incidência de hospitalizações entre aqueles com crianças de até cinco anos pode estar na infecção prévia por outros coronavírus mais brandos, que causam quadros de resfriado e podem oferecer uma proteção, ao menos contra desfechos severos, para a Covid-19.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da organização americana de saúde Kaiser Permanente junto a cientistas da Universidade de Stanford e da Universidade de Columbia, ambas nos Estados Unidos. Eles analisaram dados de mais de três milhões de adultos, com ou sem filhos, até janeiro de 2021.

No final, constataram que adultos que não conviviam com crianças tiveram cerca de 15% menos infecções, porém níveis de hospitalização consideravelmente mais altos. Em comparação ao grupo de pais com filhos de até cinco anos, a necessidade de internação pela Covid-19 chegou a ser 49% maior. Quando avaliada a admissão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), foi até 75% maior.

“Nossas descobertas fornecem evidências epidemiológicas potenciais para sugerir a possibilidade de que a imunidade cruzada por coronavírus não-SARS-CoV-2 (que não causam a Covid-19) possa fornecer um nível de proteção contra doença grave da Covid-19”, escreveram os autores do estudo.

Isso porque os resfriados comuns, que são mais prevalentes em crianças pequenas, podem ser causados por uma ampla variedade de vírus respiratórios, como o adenovírus, o rinovírus e outros coronavírus. Embora da mesma família do Sars-CoV-2, patógeno responsável pela Covid-19, esses coronavírus são mais brandos e já circulavam antes da pandemia.

Os pesquisadores sugerem que o convívio com crianças de até cinco anos, e consequente maior risco de contaminação por esses coronavírus, pode ter levado ao desenvolvimento de uma imunidade que oferece algum nível de proteção contra o Sars-CoV-2.

Eles destacam, no entanto, que a pesquisa foi conduzida com base em dados anteriores ao desenvolvimento das vacinas e à chegada da Ômicron e de suas variantes, o que pode ter alterado esse cenário. Além disso, reforçam que a principal e mais eficaz maneira de se prevenir um desfecho grave da doença é completando o esquema vacinal.