Coronavírus pode deixar sequelas neurológicas graves

2015-04-10_190211

Distúrbios como convulsões e desorientação sofridos por doentes com Covid 19 sinalizam ataque do vírus ao cérebro Os distúrbios sofridos por alguns pacientes incluem convulsões, perda de consciência, derrames, encefalite, desorientação e indicam que a Covid-19 pode atacar o cérebro. Os pesquisadores/cientistas do Rio de Janeiro e do Canadá publicaram na edição de terça-feira, 21 na revista Trends in Neurosciences, analisaram os casos de complicações neurológicas observadas em pacientes com Covid-19 e advertem para a necessidade de investigar as possíveis sequelas nos sobreviventes. Porém, não sabem ainda se os danos são causados pelo ataque direto do vírus Sars-CoV-2, se pela reação inflamatória generalizada provocada por ele (a chamada tempestade imunológica) ou se pela combinação de ambos.  O fato é que doentes de Covid-19 têm apresentado distúrbios neurológicos, que potencialmente pode deixar sequelas. O neurocientista Sergio Ferreira, da UFRJ, diz que as lesões observadas em algumas vítimas de Covid-19 se assemelham àquelas associadas a doenças neurodegenerativas. São doenças neurodegenerativas, por exemplo, os males de Alzheimer e de Parkinson.

Biomarcadores
Os pesquisadores se preparam agora para iniciar um amplo estudo no Brasil sobre o impacto do coronavírus no sistema nervoso e também buscar substâncias no sangue que possam indicar o risco de ataque da Covid-19 ao sistema nervoso central. Dentre outras coisas, buscam identificar possíveis biomarcadores de comprometimento neurológico na Covid-19. Biomarcadores são a necessidade mais urgente e serão instrumentos preciosos para os médicos avaliarem a gravidade do estado dos pacientes e poderem intervir logo. Também ajudarão a identificar o risco de sequelas — diz Fernanda Tovar Moll, do Idor e da UFRJ. Esse estudo deverá ser feito por um consórcio de pesquisa do IDOR com universidades e hospitais públicos e investigar dados de mais de 2.000 casos de pessoas infectadas pelo coronavírus. O neurocientista Jorge Moll, do Idor, diz que os pesquisadores correm para entender como acontece o agravamento da Covid-19. Os cientistas sabem que coronavírus de forma geral, e não apenas o Sars-CoV-2, são neurotrópicos. Isso significa que têm particular atração por células nervosas. Mas não conhece ainda o quão neurotrópico o Sars-CoV-2 é. Os cientistas também investigam como o novo coronavírus poderia chegar ao cérebro. Uma possibilidade é que o nariz seja principal a porta de entrada do coronavírus para o cérebro.  A perda de olfato frequente em pessoas com Covid-19 tem sido associada ao ataque do coronavírus ao nervo olfatório. Cientistas sabem que outros vírus podem usar o nervo olfatório para alcançar o cérebro. Outra possibilidade, explica Sergio Ferreira, é que o vírus chegue ao cérebro por meio da microcirculação sanguínea. Essa seria uma forma de romper a barreira hematoencefálica que protege o cérebro do patógenos. “Não sabemos o que está acontecendo dentro do cérebro dos pacientes. E precisamos descobrir logo “, diz Jorge M