Surto de erupções solares, neste domingo, causa apagão de rádio na Terra

Em um domingo marcado por dezenas de erupções solares, uma se destaca entre as mais fortes do atual ciclo de atividade do Sol

Em um domingo marcado por dezenas de erupções solares, uma se destaca entre as mais fortes do atual ciclo de atividade do Sol

Antes da grande explosão, a AR4366 já dava sinais claros de instabilidade. No início da madrugada de domingo (1º), a região produziu uma erupção de longa duração, marcada por três picos sucessivos. O evento começou com uma explosão M7, seguida por uma X1 e depois por uma M6, somando mais de seis horas de liberação contínua de energia.

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De acordo com a plataforma de observação astronômica EarthSky.org, essa sequência prolongada chamou a atenção de especialistas em clima espacial, pois costuma indicar acúmulo de energia suficiente para eventos posteriores ainda mais intensos. A expectativa se confirmou às 20h44 (horário de Brasília), com a ocorrência da poderosa erupção de classe X8.1, a terceira maior já observada durante o Ciclo Solar 25 (que iniciou em dezembro de 2019).

Os efeitos na Terra foram imediatos, provocando um apagão de rádio de nível R3, considerado forte, em toda a face do planeta iluminada pelo Sol naquele momento. O evento causou interrupções generalizadas nas comunicações, sobretudo nas transmissões de alta frequência (HF). Setores como aviação, navegação marítima e radioamadores enfrentaram falhas de sinal, com impacto maior em áreas do Pacífico, leste da Austrália e na Nova Zelândia.

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A causa do apagão foi a intensa radiação ultravioleta extrema liberada pela erupção, que ionizou fortemente a parte superior da atmosfera terrestre, absorvendo sinais de rádio abaixo de 20 megahertz e dificultando a propagação das transmissões por várias horas.

Menos de uma hora depois, às 21h42, a mesma região solar voltou a entrar em erupção, desta vez com um evento de classe X2.9. A nova explosão atingiu praticamente o mesmo local da atmosfera, reforçando os impactos nas comunicações já afetadas.Embora o campo geomagnético da Terra permaneça relativamente estável, a sucessão de erupções manteve os especialistas em alerta máximo. Após esses eventos, ainda foram registrados vários flashes de classe M e mais uma erupção de classe X1.7.

Vamos entender:

  • O Sol tem um ciclo de 11 anos de atividade;
  • Ele está atualmente no que os astrônomos chamam de Ciclo Solar 25;
  • Esse número se refere aos ciclos que foram acompanhados de perto pelos cientistas;
  • No auge dos ciclos solares, o astro tem uma série de manchas na superfície, que representam concentrações de energia;
  • À medida que as linhas magnéticas se emaranham nas manchas solares, elas podem “estalar” e gerar rajadas de vento;
  • De acordo com a NASA, essas rajadas são explosões massivas do Sol que disparam jatos de plasma e campos magnéticos (também chamados de “ejeção de massa coronal” – CME) e partículas carregadas de radiação para fora da estrela;
  • As explosões são classificadas em um sistema de letras – A, B, C, M e X – com base na intensidade dos raios-X que elas liberam, com cada nível tendo 10 vezes a intensidade do anterior;
  • A classe X denota os clarões de maior intensidade, enquanto o número fornece mais informações sobre sua força;
  • Um X2 é duas vezes mais forte que um X1, um X3 é três vezes mais forte, e, assim, sucessivamente;
  • Como o Sol dá uma volta em seu próprio eixo a cada 27 dias, as manchas solares desaparecem de vista por determinado período, voltando em seguida a ser visíveis para a Terra.

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