O El Niño de 2026-2027 atingiu, pela primeira vez, o patamar de Super El Niño pelos dois índices utilizados pela NOAA. O ONI registra +2,9°C e o RONI chegou a +2°C.
O El Niño de 2026-2027 atingiu uma condição considerada excepcional pelos critérios de monitoramento da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA). Pela primeira vez neste episódio, os dois índices utilizados pela agência para acompanhar o fenômeno alcançaram simultaneamente o patamar de Super El Niño.

O boletim semanal divulgado nesta segunda-feira aponta anomalia de +2,9°C na temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, pelo tradicional Índice Oceânico Niño (ONI).
O valor coloca o fenômeno na categoria de El Niño muito forte e próximo do limite superior da classificação. Anomalias iguais ou superiores a +2°C são consideradas, de maneira informal, como Super El Niño.
A novidade está no segundo indicador. O Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), adotado pela NOAA neste ano, registra atualmente anomalia de +2°C na mesma região.
É a primeira vez durante o episódio de 2026-2027 que o RONI alcança o patamar de +2°C. Com isso, os dois indicadores utilizados pela NOAA apontam simultaneamente para uma condição de Super El Niño.
Evento chega entre os mais intensos
A intensidade registrada pelo ONI já coloca o El Niño de 2026-2027 entre os episódios mais fortes da era moderna.
Levantamento da MetSul com base em dados semanais da NOAA mostra que o recorde entre os eventos classificados como Super El Niño pertence ao episódio de 2015-2016, quando a anomalia na região Niño 3.4 chegou a +3°C na semana de 18 de novembro de 2015.
Na sequência aparece o fenômeno de 1982-1983, que alcançou +2,6°C na semana de 29 de dezembro de 1982.
O episódio atual também chama atenção pela velocidade com que atingiu essa intensidade. Pelo ONI, a primeira leitura semanal de +2°C ocorreu na semana de 8 de julho de 2026.
No Super El Niño de 1982-1983, esse patamar só foi alcançado na semana de 24 de novembro. Em 1997-1998, ocorreu pela primeira vez em 3 de setembro. Já no episódio de 2015-2016, a marca de +2°C apareceu somente na semana de 16 de setembro.
Modelos apontam para um pico ainda maior
As projeções dos modelos meteorológicos indicam que o El Niño ainda não atingiu seu ápice. O consenso aponta para um pico no final do ano, principalmente entre novembro e dezembro.
A mediana das simulações atuais indica que a anomalia na região Niño 3.4 poderá chegar a valores próximos de +4°C pelo índice ONI.
Se essa projeção se confirmar, o fenômeno ultrapassará com larga margem o patamar de +2°C usado informalmente para caracterizar um Super El Niño.
O episódio já havia alcançado esse nível pelo ONI em julho e atingiu o mesmo patamar pelo RONI em setembro. Uma eventual marca próxima de +4°C colocaria o fenômeno em uma faixa excepcional, sem precedente nos cerca de 170 anos de observações consideradas.
Intensidade não significa impacto proporcional
Apesar dos números extremos, a intensidade do El Niño não permite prever, sozinha, a dimensão dos efeitos sobre o clima.
A relação entre a temperatura do Pacífico e os impactos regionais não é linear. Cada episódio ocorre dentro de uma configuração diferente da atmosfera e dos oceanos, e fatores como a localização das águas mais quentes, circulação atmosférica, ventos e temperaturas de outros oceanos interferem na resposta climática.
Por isso, um El Niño excepcionalmente intenso não significa necessariamente impactos igualmente extremos em todas as regiões.
No Rio Grande do Sul, essa diferença já pode ser observada na comparação com 2023. Embora o El Niño atual seja muito mais intenso, o Estado teve até agora menos chuva do que naquele episódio. Em São Paulo, por outro lado, o fenômeno de 2026 vem associado a excesso de chuva e episódios de enchentes, enquanto o evento de três anos atrás esteve relacionado a grandes ondas de calor.





