Prejuízo aos vinhedos é apontado por pesquisa inédita do Consevitis-RS, que revela perdas na produção, aumento dos custos e redução de investimentos entre 2018 e 2025
Os vinhedos gaúchos acumularam um prejuízo estimado de R$ 210 milhões entre 2018 e 2025 em razão da contaminação provocada por herbicidas aplicados em propriedades vizinhas. O dado integra a primeira pesquisa que mensura os impactos econômicos desse problema sobre a vitivinicultura do Rio Grande do Sul.

O estudo foi apresentado nesta quinta-feira (7) pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), em parceria com pesquisadores do IFRS Campus Bento Gonçalves, e reúne registros oficiais, georreferenciamento, entrevistas com produtores e projeções econômicas.
Pesquisa revela perdas que vão além da produção
O levantamento mostra que o prejuízo aos vinhedos não se limita à redução da colheita.
Além das perdas de produtividade, foram contabilizados o aumento dos custos de manejo, a necessidade de renovação de parreirais e a redução de investimentos em expansão, desenvolvimento de novos produtos e projetos ligados ao enoturismo.
Embora os registros oficiais apontem perdas de R$ 161,6 milhões, a pesquisa estima que os danos reais tenham alcançado R$ 210 milhões no período analisado.
Cenário pode piorar nos próximos anos
Os pesquisadores alertam que, se nenhuma medida eficaz for adotada para reduzir a contaminação dos vinhedos, os prejuízos poderão aumentar em R$ 150,1 milhões nos próximos cinco anos.
O estudo conclui que o problema deixou de ser episódico e passou a representar um risco permanente para a competitividade da vitivinicultura gaúcha.
Cerca de 700 hectares foram atingidos
A pesquisa analisou mais de 400 ocorrências registradas no Rio Grande do Sul e estima que aproximadamente 700 hectares de vinhedos tenham sido diretamente afetados.
Os pesquisadores ressaltam que a área impactada pode ser ainda maior, já que muitos episódios não chegam aos registros oficiais.
As ocorrências foram identificadas em diversas regiões produtoras, como Campanha Gaúcha, Região Central, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Planalto, Missões e, de forma mais pontual, na Serra Gaúcha.
Produtores reduziram investimentos
Todos os viticultores entrevistados afirmaram ter reduzido ou adiado investimentos devido à recorrência do problema.
Segundo a coordenadora da pesquisa, professora doutora Shana Sabbado Flores, o estudo transformou uma percepção recorrente dos produtores em dados técnicos capazes de orientar políticas públicas e estratégias para proteger a vitivinicultura.
Para o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, conhecer a dimensão econômica das perdas é fundamental para construir soluções que preservem o desenvolvimento da cadeia produtiva e a convivência com outras atividades agrícolas.
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