Caso envolvendo indígenas em condições degradantes levou inclusão na lista do Ministério do Trabalho após conclusão do processo. O grupo era formado por 12 homens e seis mulheres, com idades entre 17 e 67 anos. Entre eles, também estavam um bebê e uma criança de cinco anos.
Empresa de Bento Gonçalves entra na lista do trabalho escravo após resgate de 18 trabalhadores, conforme atualização recente do cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego.
O caso envolve a empresa Mateus Da Silva Amaral Ltda, responsável pelo agenciamento de mão de obra para safras agrícolas. A inclusão ocorre após a conclusão do processo administrativo, que confirmou irregularidades graves nas condições de trabalho.
Resgate
A operação que revelou a situação ocorreu em fevereiro de 2025. Ao todo, 18 trabalhadores indígenas da etnia Kaingang foram encontrados em condições consideradas degradantes.
O grupo era formado por 12 homens e seis mulheres, com idades entre 17 e 67 anos. Entre eles, também estavam um bebê e uma criança de cinco anos.
Segundo a apuração, os trabalhadores vieram da reserva de Benjamin Constant do Sul com promessa de emprego formal, alojamento, alimentação e pagamento diário.
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No entanto, ao chegarem, foram deixados em um galpão de madeira sem estrutura adequada. Eles dormiam em colchões no chão, em espaços improvisados atrás de um bar e até em canchas de bocha.
Além disso, não recebiam pelos dias sem colheita durante a safra da uva.
Denúncia
O caso veio à tona após parte do grupo ser retirada do local sem pagamento. Dez trabalhadores procuraram ajuda na Assistência Social, o que levou ao acionamento da fiscalização.
No mesmo dia, os demais indígenas foram resgatados e o espaço foi interditado.
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Enquadramento
De acordo com o Ministério do Trabalho, a inclusão na chamada “lista suja” ocorre apenas após a finalização do processo, com direito à defesa.
A legislação considera trabalho análogo à escravidão situações como jornada exaustiva, condições degradantes e retenção de salários.
O nome do empregador permanece no cadastro por dois anos.
Estado
Além do caso de Bento Gonçalves, o Rio Grande do Sul soma 31 ocorrências ativas no cadastro. Há registros em cidades como Caxias do Sul, Vacaria, Porto Alegre, Pelotas e Gravataí.
Entre os empregadores listados, estão casos com diferentes números de trabalhadores resgatados, incluindo situações com até 11 vítimas.
Confira a lista de empregadores:
- Dirleu De Araujo (Caxias do Sul) – 3 trabalhadores resgatados
- Hortifrutigranjeiros Vacaria Ltda (Vacaria) – 3 trabalhadores resgatados
- Lucia Regina Dias Dell Aglio (Porto Alegre) – 1 trabalhador resgatado
- Makay Industria De Cosméticos Ltda (Gravataí) – 2 trabalhadores resgatados
- Marcus Rogerio Silva De Souza (Sapucaia do Sul) – 11 trabalhadores resgatados
- Mateus Da Silva Amaral Ltda (Bento Gonçalves) – 18 trabalhadores resgatados
- Restaurantes Argentinos Ltda (Porto Alegre) – 10 trabalhadores resgatados
- Rosena Da Silva Dutra (Eldorado do Sul) – 1 trabalhador resgatado
- Wladimir Azevedo Requiao (Pelotas) – 1 trabalhador resgatado
Acesse a lista completa de empresas na lista suja do trabalho escravo : https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/inspecao-do-trabalho/areas-de-atuacao/cadastro_de_empregadores.pdf
Os casos incluídos nesta atualização ocorreram entre 2020 e 2025, em 21 unidades da Federação. Os estados com maior número de empregadores foram:
- Minas Gerais (35);
- São Paulo (20);
- Bahia (17);
- Paraíba (17);
- Pernambuco (13);
- Goiás (10);
- Mato Grosso do Sul (10);
- Rio Grande do Sul (9);
- Mato Grosso (7);
- Paraná (6);
- Pará (5);
- Santa Catarina (4);
- Maranhão (4);
- Acre (2);
- Distrito Federal (2);
- Espírito Santo (2);
- Rio de Janeiro (2);
- Amazonas (1);
- Ceará (1);
- Rondônia (1);
- Sergipe (1).