Reajuste de 3,81% aos servidores de Bento Gonçalves gera críticas do sindicato, que aponta perda salarial e distorções.
A tentativa da prefeitura de Bento Gonçalves de fechar um acordo com o funcionalismo acabou produzindo o efeito contrário. O reajuste de 3,81% anunciado nesta sexta-feira, 17 de abril, pelo prefeito Amarildo Lucatelli, abriu um novo foco de desgaste com os servidores municipais.
A proposta foi encaminhada à Câmara, mas já enfrenta resistência do Sindiserp-BG, que não reconhece ganho real nos números apresentados.
Percentual em xeque
O índice adotado pelo Executivo segue a variação do IPCA no período recente. Ainda assim, a leitura da categoria é de que o percentual apenas recompõe parcialmente a inflação e não cobre perdas acumuladas.
No pacote, a prefeitura também propõe alterar o pagamento do vale-alimentação, que deixará de ser feito por cartão e passará a integrar a folha. O valor do benefício terá reajuste de 15,38%, mas segue considerado insuficiente pelos servidores.
A administração municipal sustenta que as medidas foram calculadas dentro da capacidade financeira do município e que respeitam limites fiscais.
Desconfiança sobre cálculo
A crítica mais direta recai sobre a forma como o reajuste foi definido. A presidente do sindicato, Neilene Lunelli, afirma que há distorções no índice apresentado, com exclusão de parte do período inflacionário.
Na prática, segundo ela, o impacto no contracheque é reduzido, especialmente entre os salários mais baixos. O valor do vale-alimentação, mesmo com aumento, também é visto como defasado frente ao custo de vida atual.
Categoria reage
Com o clima de insatisfação, os servidores foram convocados para assembleia na próxima quinta-feira, 23, na Escola Bento. A reunião deve definir os próximos passos da mobilização.acompanhe as notícias pelo canal do whatsapp
Enquanto isso, o projeto segue em tramitação no Legislativo. A expectativa do Executivo é que as medidas entrem em vigor já em maio.
O episódio expõe um cenário recorrente em administrações municipais: de um lado, a limitação orçamentária; de outro, a pressão por recomposição salarial em um contexto de perda de poder de compra.
