Projetoliderado pelo professor e psiquiatra Frederico Garcia, da Faculdade de Medicina da UFMG, busca bloquear efeito da droga no cérebro e pode inaugurar novo caminho no tratamento da dependência química. A vacina poderá se tornar uma ferramenta definitiva no tratamento em um horizonte de três a quatro anos. . Leia mais
O médico psiquiatra Frederico Garcia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, lidera uma pesquisa que pode colocar o Brasil no centro de uma inovação inédita no tratamento da dependência química. À frente da vacina Calixcoca, ele coordena desde 2015 um projeto que busca desenvolver o primeiro imunizante contra a dependência de cocaína e crack, com potencial impacto global na saúde pública.
Após resultados positivos nas etapas pré-clínicas, que demonstraram segurança e eficácia em testes com animais, a equipe agora finaliza a documentação para submeter o estudo à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A fase 1, voltada à avaliação de segurança em humanos, pode começar em até dois anos. Se os resultados confirmarem as expectativas, a vacina poderá se tornar uma ferramenta definitiva no tratamento em um horizonte de três a quatro anos.
O imunizante atua estimulando o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea, impedindo que a substância atravesse a barreira hematoencefálica e atinja o cérebro. Com a redução dos efeitos psicoativos, a proposta é auxiliar na prevenção de recaídas e ampliar o tempo de estabilidade para que pacientes em tratamento reconstruam suas vidas com mais autonomia.
O projeto recebeu R$ 10 milhões do Governo de Minas Gerais, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, e venceu o Prêmio Euro Inovação na Saúde, garantindo 500 mil euros para avançar nos estudos. A pesquisa conta ainda com suporte da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa, responsável pela gestão administrativa e financeira. Atualmente, não há medicamentos registrados especificamente para dependência de cocaína e crack, o que torna a iniciativa ainda mais relevante.





