Pesquisa associa o consumo masculino de alimentos ultraprocessados à maior dificuldade para conceber, e a ingestão desses produtos pelas mulheres é associado ao crescimento do embrião
O consumo de ultraprocessados fertilidade está no centro de um novo alerta científico. Um estudo publicado na revista Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia indica que esses alimentos podem interferir tanto na fertilidade masculina quanto no desenvolvimento embrionário.
A pesquisa foi conduzida pelo Centro Médico da Universidade Erasmus, na Holanda, e é a primeira a analisar o impacto combinado da alimentação de homens e mulheres antes da concepção.
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Resultados do estudo
Os pesquisadores acompanharam 831 mulheres e 651 homens desde o período pré-concepcional até o início da gravidez. Os dados mostraram que o alto consumo de ultraprocessados pelos homens está associado à redução da fertilidade.
Já entre as mulheres, embora não tenha sido observado impacto direto na capacidade de engravidar, houve relação com alterações no crescimento inicial do embrião.
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Impactos diferentes
Segundo a pediatra Romy Gaillard, líder do estudo, os efeitos variam entre homens e mulheres.
Nos homens, o consumo elevado desses alimentos aumentou o risco de subfertilidade e prolongou o tempo necessário para a concepção. Nas mulheres, o impacto apareceu no desenvolvimento embrionário, especialmente nas primeiras semanas de gestação.
Alimentação em alerta
Os ultraprocessados incluem produtos ricos em açúcar, gordura, sal e aditivos, como refrigerantes, embutidos, biscoitos e refeições prontas.
De acordo com o estudo, esses alimentos já representam cerca de 60% da dieta em países de alta renda. No Brasil, correspondem a aproximadamente 23%, segundo levantamento da Universidade de São Paulo.
Possíveis explicações
Especialistas apontam que a relação pode estar ligada a fatores como inflamação, estresse oxidativo e deficiência de nutrientes.
O médico Eduardo Rauen explica que o sistema reprodutivo masculino é sensível a esse tipo de impacto. Já no caso das mulheres, o ambiente uterino pode ser afetado durante uma fase crítica de desenvolvimento do embrião.
Riscos para o bebê
Os pesquisadores também alertam que alterações no crescimento embrionário podem estar associadas a riscos futuros, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e problemas cardiovasculares na infância.
Apesar disso, o estudo é observacional e não comprova relação direta de causa e efeito.
Recomendação dos especialistas
Para o nutrólogo Sandro Ferraz, reduzir o consumo de ultraprocessados é uma medida essencial para casais que desejam ter filhos.
A recomendação é priorizar alimentos naturais, como frutas, verduras, proteínas de qualidade e gorduras saudáveis, fortalecendo a saúde antes mesmo da gestação.





