Solidão causa o mesmo dano que fumar 15 cigarros por dia, explica neurologista

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Especialista alerta para os impactos neurológicos do isolamento social e compara os efeitos da solidão aos de fumar diariamente, conforme mostra um relatório da OMS

Os efeitos da solidão no cérebro  foi abordado por   Leandro Freitas, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), doutor em Neurologia e Neurociências, através do relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) que comparou os danos da solidão aos provocados por quem fuma 15 cigarros por dia.

A solidão, muitas vezes vista como um sentimento passageiro, foi elevada a um problema de saúde pública global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Um relatório recente da Comissão de Conexão Social da entidade aponta que uma em cada seis pessoas em todo o mundo é afetada pela condição, que está associada a cerca de 100 mortes por hora, totalizando mais de 871 mil óbitos anualmente.

O documento define a solidão como um sentimento doloroso causado pela discrepância entre as conexões sociais que uma pessoa deseja ter e as que de fato possui. Já o isolamento social é caracterizado pela ausência objetiva de vínculos suficientes. Fatores como problemas de saúde, baixa renda, morar sozinho e políticas públicas inadequadas são apontados como alguns dos gatilhos para essa condição.

Freitas destacou que há várias questões a serem consideradas, no que se refere à forma como a saúde é afetada pela solidão. “A primeira delas é que o cérebro é feito de presença. Sempre que falamos em sistema nervoso, estamos falando de interação, e essa interação é feita com pessoas. Quando nos isolamos, deixamos de receber estímulos essenciais: visuais, auditivos, olfativos.Tudo isso alimenta o nosso sistema nervoso. É simples: se eu não estou utilizando essas células, elas entram em um processo de morte programada. Isso aumenta o risco de demência, de doenças neurodegenerativas. O cérebro começa a atrofiar”, explicou.

Segundo ele, às vezes, as pessoas tentam separar o cognitivo do fisiológico, mas o psicológico é uma construção biológica. O especialista disse que isso o preocupa. “No mundo primitivo, a gente sobrevivia por meio das interações. Até dois séculos atrás, não existiam relatos das condições neurológicas que enfrentamos hoje. Estamos desenvolvendo uma nova forma de viver, hiperconectada, tecnológica, para a qual nosso corpo, nossa biologia, ainda não está preparado”, analisou.

O especialista ressaltou ainda que as redes sociais não ajudam a aliviar a solidão e que isso é um fato comprovado pela ciência. Freitas pontuou que existem estudos que mostram que, mesmo uma videochamada, não substitui a presença física. “Isso nos engana, porque cria a falsa sensação de companhia. Tenho milhares de seguidores nas redes, participo de vários grupos no WhatsApp, mas, ainda assim, posso estar só. Essa sensação de presença é mascarada. Por isso, a romantização das redes sociais precisa ser questionada”, alertou.

Os impactos da solidão na saúde e na economia

 

A falta de conexão social desencadeia uma resposta de “estresse biológico” no organismo, que pode deixar o indivíduo mais suscetível a doenças. A solidão crônica está associada a um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, demência, diabetes e síndrome da fragilidade em idosos.

Além dos impactos na saúde individual, a solidão e o isolamento social geram custos bilionários para a sociedade em termos de saúde, educação e perda de produtividade. “Comunidades com fortes laços sociais tendem a ser mais seguras, saudáveis e resilientes, inclusive em resposta a desastres”, aponta o relatório da OMS.

Diante da gravidade do problema, a OMS criou uma Comissão Internacional para combater o que já é considerado uma “epidemia de solidão”. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom, reforçou que a solidão e o isolamento custam caro à sociedade e exigem uma ação urgente. A busca por vidas mais conectadas, segundo a entidade, impacta positivamente a saúde, a educação e a economia em escala global.

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