Presunto é classificado como cancerígeno igual cigarro pela OMS

Presunto é classificado como cancerígeno igual cigarro pela OMS

Relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer reacende debate sobre riscos do consumo de embutidos

Genebra, 30 de janeiro de 2026 — A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a incluir o presunto e outras carnes processadas na mesma classificação cancerígena do cigarro, o chamado Grupo 1 de carcinógenos, categoria reservada a agentes com evidência científica suficiente de que causam câncer em humanos. A decisão foi conduzida pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e reacendeu o debate sobre os riscos do consumo desses alimentos no dia a dia.

Estar na mesma categoria não significa que presunto e cigarro tenham o mesmo nível de perigo, mas que ambos possuem relação causal comprovada com o desenvolvimento de câncer. No caso das carnes processadas, a associação mais consistente é com o câncer colorretal.

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O que significa estar no Grupo 1 da OMS

A classificação do Grupo 1 é baseada na força da evidência científica, e não na intensidade do risco. Substâncias, alimentos ou hábitos entram nessa categoria quando estudos epidemiológicos, experimentais e mecanísticos convergem para uma conclusão clara de causalidade.

No caso do presunto, a evidência aponta que processos como cura, defumação e adição de conservantes têm papel central no risco. Durante a digestão, compostos presentes nesses alimentos podem gerar substâncias capazes de danificar o DNA das células intestinais, aumentando a probabilidade de mutações.

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Por que carnes processadas aumentam o risco de câncer

O consumo frequente de presunto, salsicha, bacon e outros embutidos está associado a mecanismos biológicos relevantes, como:

  • Presença de nitritos e nitratos, que podem formar compostos potencialmente carcinogênicos no organismo
  • Produção de substâncias reativas no intestino, capazes de causar estresse oxidativo
  • Substituição de alimentos protetores da dieta, como frutas, vegetais e fibras

Dietas ricas em ultraprocessados também estão associadas ao ganho de peso e à inflamação crônica, fatores reconhecidos no aumento do risco de câncer.

Presunto não é cigarro, mas o alerta é científico

Apesar da comparação na classificação, o impacto absoluto do cigarro sobre a saúde é muito maior, especialmente em relação ao câncer de pulmão e às doenças cardiovasculares. Já o risco do presunto depende da quantidade e da frequência de consumo.

A OMS destaca que o alimento não é inofensivo e que o consumo regular deve ser limitado, especialmente em dietas já ricas em produtos industrializados.

Como reduzir os riscos na alimentação

Especialistas recomendam:

  • Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados
  • Incluir frutas, verduras, legumes e alimentos ricos em fibras na dieta
  • Consumir carnes processadas apenas ocasionalmente
  • Manter peso saudável e praticar atividade física

A inclusão do presunto na mesma classificação cancerígena do cigarro não busca causar pânico, mas informar com base científica, permitindo escolhas alimentares mais conscientes e alinhadas à prevenção de doenças.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC)

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