Horário do tratamento do câncer pode dobrar sobrevida do paciente, diz estudo

Após 29 meses de acompanhamento de 210 pacientes com câncer de pulmão, o risco de progressão da doença caiu cerca de 60%.

Ensaio clínico randomizado publicado nesta segunda-feira, 2 na  revista Nature Medicine sugere que alinhar imunoterapia ao relógio biológico pode quase dobrar a sobrevida em câncer de pulmão avançado

O horário em que pacientes recebem tratamento contra o câncer pode influenciar significativamente a resposta à terapia e a sobrevida, segundo um novo estudo clínico publicado na revista na revista Nature Medicine A pesquisa indica que alinhar a imunoterapia ao ritmo biológico do organismo pode ampliar de forma expressiva os benefícios do tratamento.

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Até então, evidências sobre o impacto do horário da imunoterapia vinham de estudos observacionais, sujeitos a vieses como perfil socioeconômico e estado geral de saúde. O novo trabalho, no entanto, é um ensaio clínico randomizado e controlado, considerado o padrão mais robusto para avaliar intervenções médicas.

Resultados expressivos

O estudo envolveu 210 pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células em estágios avançados. Os participantes receberam quimioterapia associada a imunoterapia com inibidores de checkpoint, sendo divididos em dois grupos: aqueles tratados antes das 15h e os tratados após esse horário.

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Após acompanhamento médio de 29 meses, os resultados mostraram diferenças marcantes. Pacientes tratados mais cedo apresentaram sobrevida mediana de 28 meses, enquanto os tratados à tarde viveram entre 16,8 e 17 meses. A sobrevida livre de progressão também foi maior no grupo tratado antes das 15h, com redução de cerca de 60% no risco de progressão da doença.

Papel do relógio biológico

Com acompanhamento médio de 29 meses em 210 pacientes com câncer de pulmão a redução foi de cerca de 60% no risco de progressão da doença.

Os pesquisadores associam os resultados ao funcionamento do sistema imunológico ao longo do dia. Células T, essenciais para a ação da imunoterapia, tendem a se concentrar nos tecidos e no microambiente tumoral durante a manhã, o que pode potencializar a resposta ao tratamento.

Apesar disso, os mecanismos ainda não são totalmente compreendidos. Especialistas destacam que medicamentos como o pembrolizumabe permanecem ativos por semanas no organismo, o que torna intrigante o impacto de poucas horas de diferença na infusão.

Próximos passos

Os autores ressaltam que o estudo ainda não é suficiente para mudar práticas clínicas. O número de participantes é considerado limitado, e novas pesquisas devem testar horários mais específicos e avaliar se o efeito se repete em outros tipos de câncer.

Investigações futuras também devem analisar variações individuais do ritmo biológico, além de explorar se tumores como melanoma e câncer de bexiga respondem de forma semelhante.

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