Estudo com quase 250 mil pessoas apontou que moradores de áreas urbanas mais arborizadas têm risco 16% menor de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação a quem vive em regiões com menos vegetação
Já é sabido que morar em áreas com mais árvores traz benefícios à saúde e ao bem-estar. A vegetação já foi relacionada a índices mais baixos de hipertensão e, agora, um estudo reforça que a natureza ajuda mesmo a prevenir doenças cardiovasculares. O trabalho foi apresentado durante um congresso promovido pela Sociedade Europeia de Cardiologia em 2021.
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Participaram da análise 243 558 beneficiários do Medicare, seguro de saúde do governo dos Estados Unidos, que viviam na mesma área de Miami entre 2011 e 2016. Os registros foram utilizados para obter, ao longo desse período, a incidência de novos males no coração nessas pessoas, a exemplo de infarto, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca, hipertensão e acidente vascular cerebral.
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Com imagens de satélite, os pesquisadores registraram a quantidade de luz solar visível e infravermelha (invisível) naquela área. A clorofila das plantas normalmente absorve a luz visível e reflete a infravermelha. Portanto, a medição de ambas indica a quantidade de vegetação.
Grupos foram criados de acordo com o volume verde em cada quarteirão: baixo, médio e alto. Essas definições mudaram durante o estudo, já que aconteceram programas de plantio de árvores ao longo do tempo.
Os cientistas ainda analisaram dados como sexo, raça, idade, etnia, condições de saúde, renda familiar média e até a capacidade de locomoção dos moradores.
Após cruzar essas informações todas, os experts concluíram que os habitantes das áreas mais verdes tinham um risco 16% menor de encarar uma condição cardiovascular em comparação aos que vivem em lugares com menos vegetação.
Mesmo os que viviam nos espaços mais arborizados e ficaram doentes durante o tempo de observação apresentaram uma probabilidade 4% menor de desenvolver novas doenças em comparação aos habitantes dos demais quarteirões.
A saúde dos moradores que viviam nas áreas que receberam investimentos para o plantio de árvores também foi privilegiada. Quem passou a conviver com mais verde teve 15% menos risco de adoecer em comparação aos habitantes de blocos em que a vegetação permaneceu rasteira. A probabilidade de doentes sofrerem um novo mal caiu em 9%.
“O plantio de árvores e a manutenção de áreas verdes estão associados a vários benefícios e representam um investimento de custo relativamente baixo para melhorar a saúde e o bem-estar. Um bairro com esse tipo de iniciativa pode evitar dez doenças cardíacas em um grupo de 100 moradores”, exemplifica o autor do estudo William Aitken, da Universidade de Miami, em comunicado.
Pouco se sabe ainda sobre como a natureza pode interferir na saúde das pessoas. “Suspeitamos de algumas hipóteses. Por exemplo: quem vive em áreas mais verdes pode fazer mais exercícios ao ar livre e talvez se sinta menos estressado por estar cercado pela natureza. Além disso, a vegetação pode oferecer alguma proteção contra a poluição do ar e sonora. É uma questão ainda a ser explorada”, explicou Aitken.





