Lei que muda regras para crianças e adolescentes na internet inicia dia 17 de março; está preparado?

Lei que muda regras para crianças e adolescentes na internet inicia dia 17 de março; está preparado?

ECA Digital prevê multas de até R$ 50 milhões e exige supervisão dos pais na proteção online, contas ligadas a um adulto responsável entre outras; confira

Lei que atualiza a proteção de crianças e adolescentes na internet entra em vigor com punições a plataformas, fiscalização da ANPD e orientação reforçada aos pais.


A nova legislação conhecida como ECA Digital estabelece regras mais rígidas para o funcionamento de plataformas digitais e amplia a proteção de crianças e adolescentes na internet, prevendo multas que podem chegar a R$ 50 milhões e até a suspensão de serviços em casos graves.

Papel dos pais continua essencial

Apesar das novas obrigações impostas às empresas, especialistas ressaltam que a supervisão familiar permanece fundamental. A pediatra Evelyn Eisenstein, coordenadora de Saúde Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria, afirma que a presença ativa dos responsáveis é indispensável.

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“Os pais precisam saber também denunciar, bloquear, conversar com seus filhos sobre o que pode e o que não pode, mas principalmente estar lá”, diz.

Para muitas famílias, o acompanhamento digital passa a ser visto como parte da educação cotidiana. “Ensinei a andar de bicicleta, o pai ensinou a jogar bola, eu também tenho que ensinar a usar rede social”, relata a empresária Camila Monteiro, mãe de criança em idade escolar.

Punições mais severas às plataformas

O conjunto de medidas é reforçado por um sistema de sanções. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) ficará responsável por fiscalizar o cumprimento das regras pelas plataformas digitais.

As penalidades incluem advertências e multas que podem chegar a R$ 50 milhões. Em situações consideradas mais graves, a legislação prevê ainda a possibilidade de suspensão temporária ou até proibição de funcionamento das plataformas por decisão judicial.

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Orientações para famílias e profissionais

Paralelamente à nova lei, a Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou um manual com recomendações destinadas a médicos e pais, com orientações sobre uso seguro da internet por crianças e adolescentes.

RESUMO

✅ Principais regras do ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente)

A nova lei estabelece um conjunto de obrigações para plataformas digitais com foco na proteção de crianças e adolescentes na internet. As regras centrais são:


1️⃣ Verificação efetiva de idade

As plataformas devem adotar mecanismos confiáveis para impedir que menores acessem conteúdos impróprios.

  • Não basta mais apenas clicar em “tenho mais de 18 anos”
  • Podem ser usados sistemas como:
    • Inteligência artificial
    • Biometria
    • Análise documental
    • Outros métodos tecnológicos

2️⃣ Dever de prevenir e remover conteúdos nocivos

As empresas passam a ter responsabilidade ativa sobre o que circula em seus serviços.

Devem monitorar e retirar rapidamente conteúdos que envolvam:

  • Exploração e abuso sexual
  • Violência
  • Automutilação
  • Transtornos alimentares
  • Incentivo a crimes
  • Jogos de azar e apostas para menores
  • Outros riscos à saúde física e mental

👉 A remoção não depende apenas de denúncia.


3️⃣ Proibição de publicidade dirigida a menores

Fica vedado o direcionamento comercial específico para crianças e adolescentes.

Inclui:

  • Anúncios personalizados com base em comportamento
  • Uso de dados para segmentação publicitária
  • Marketing voltado diretamente ao público infantil

4️⃣ Proibição de perfilamento comportamental

As plataformas não podem coletar e usar dados para criar perfis psicológicos ou de consumo de menores.

Também fica proibida:

  • Monetização de conteúdos sexualizados envolvendo crianças e adolescentes
  • Conteúdos que “adultizem” esse público para fins comerciais

5️⃣ Vinculação de contas de menores a responsáveis

Usuários com menos de 16 anos deverão ter suas contas ligadas a um adulto responsável.

Objetivos:

  • Permitir supervisão parental
  • Facilitar controle e segurança
  • Reforçar o papel da família no ambiente digital

6️⃣ Transparência e mitigação de riscos

As plataformas devem adotar políticas claras de proteção e prevenção.

Inclui:

  • Avaliação contínua de riscos para menores
  • Medidas preventivas antes que o dano ocorra
  • Transparência sobre como os dados são usados

7️⃣ Fiscalização pela ANPD

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados passa a supervisionar o cumprimento da lei.


8️⃣ Punições e sanções

O descumprimento pode gerar penalidades progressivas:

  • Advertências
  • Multas de até R$ 50 milhões
  • Suspensão de serviços
  • Proibição de funcionamento no país (em casos extremos, por decisão judicial)

⚠️ Importante

A lei não substitui o papel dos pais e das escolas — ela amplia a responsabilidade das empresas de tecnologia.

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