De um total de mais de 48 mil detentos, 555 se identificam como parte da comunidade. Levantamento busca qualificar dados para a criação de políticas públicas mais assertivas no sistema prisional.
Um novo boletim técnico lançado nesta quarta-feira (2/7) pelo Observatório do Sistema Prisional da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) revelou que apenas 1,1% da população carcerária do Rio Grande do Sul se autodeclara como parte da comunidade LGBTQI+. O levantamento, apresentado durante o Seminário de Políticas da Diversidade no Sistema Prisional 2025, é uma iniciativa do governo do Estado para aprofundar o conhecimento sobre este grupo e desenvolver ações mais eficazes.
O estudo quantitativo, com dados de 31 de março, identificou que, do universo de 48.610 pessoas privadas de liberdade na data, 555 se autodeclararam LGBTQI+. Segundo o secretário Jorge Pozzobom, a qualificação desses dados é fundamental para a gestão. “Por meio dessas informações conseguimos ter um olhar cada vez mais aprofundado sobre esta parcela da população, buscando desenvolver ações direcionadas e qualificadas de tratamento penal”, afirmou.
O mapeamento detalhado, que considerou a co-identificação com mais de uma identidade de gênero e orientação sexual, traçou o perfil deste grupo. Assim como no boletim de 2023, mulheres bissexuais e homens gays representam os maiores números de autodeclarações. Uma novidade na pesquisa de 2025 foi a identificação, pela primeira vez, de pessoas não binárias.
Perfil da população LGBTQI+ no sistema prisional gaúcho (2025):
- Mulheres bissexuais: 36,6%
- Homens gays: 16%
- Homens bissexuais: 14,6%
- Mulheres lésbicas: 14,1%
- Mulheres trans: 8%
- Homens trans: 5,6%
- Travestis: 3,7%
- Pessoas não binárias: 1%
- Pessoas intersexo: 0,3%
As informações são coletadas pela Divisão de Atenção às Mulheres e Grupos Específicos (Diamge) a partir de registros no sistema Infopen RS e de questionários aplicados nos estabelecimentos prisionais.
Para Willian Krüger, coordenador-adjunto do Comitê Gestor de Atenção à População LGBTI+ no sistema prisional, a sistematização desses dados representa um avanço para a modernização do sistema. “Enquanto política de Estado, a produção de boletins técnicos garante embasamento logístico ao emprego de recursos públicos, além de proporcionar o aperfeiçoamento da gestão estadual na sua articulação com os demais órgãos da execução penal”, destacou o servidor, ressaltando que a iniciativa promove metodologias de cumprimento de pena mais justas e seguras. O boletim também realizou um mapeamento das unidades prisionais que abrigam essa população.




