Trabalhadores com mais de 60 são grupo que mais cresce. O que isso diz sobre mercado?

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Segmento saltou 76% entre 2012 e 2025 e já soma 8,6 milhões de pessoas, enquanto fatia de jovens retrai. Idade mínima, longevidade e necessidade de complementar renda adiam aposentadoria
 O número de pessoas com mais 60 anos entre os ocupados saltou 76% em pouco mais de uma década.

Foi de 4,9 milhões no segundo trimestre de 2012 para 8,6 milhões no deste ano. Na faixa etária de 40 anos a 59 anos, a alta foi de 32%, saindo de 31 milhões para 41 milhões no mesmo período.

Os números fazem parte de um levantamento do pesquisador Rogério Nagamine, ex-secretário do Regime Geral da Previdência, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

Para ele, a explicação está na combinação de envelhecimento acelerado da população com a introdução da idade mínima para a aposentadoria (65 para homens e 62 anos para mulheres) pela Reforma da Previdência, em 2019. Mas ele também destaca que a conjuntura econômica também estimula brasileiros a trabalhar por mais tempo.

Vida longa, renda curta

Com maior longevidade, aumentam as necessidade financeiras de quem tem idade para se aposentar e muita vida pela frente. Na outra ponta, a redução do contingente de jovens torna esses profissionais maduros cada vez mais necessários no mercado.

“O grupo de trabalhadores ocupados que mais cresceu está na faixa etária de 60 anos ou mais”, diz Nagamine. Claro que em parte é decorrente do próprio envelhecimento da população. Mas, no caso dos idosos, cabe destacar que a taxa de participação no mercado de trabalho está subindo gradualmente.

Considerando as pessoas com 40 anos ou mais, os trabalhadores mais maduros estão se aproximando da metade do total de ocupados no Brasil.

A demografia indica que as empresas não poderão seguir abrindo mão de profissionais mais velhos por muito tempo . O conjunto de trabalhadores entre 25 e 39 anos cresceu apenas 3,6% em 13 anos, levando a uma queda na participação dessa faixa etária no total de ocupados no país. A fatia do segmento entre 18 e 24 anos encolheu 6% desde 2012.

E a de 14 a 17 anos retraiu quase 50%, refletindo menores taxas de natalidade e maior permanência de adolescentes na escola. No caso das meninas, houve ainda redução do índice de gravidez na adolescência, o que ajuda a elevar os anos de estudo, observa o professor visitante da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Eduardo Rios.

Evolução natural

Para o economista e doutorando em Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Alexandre Oliveira Ribeiro, a mudança na demografia tende a elevar naturalmente os níveis de ocupação entre os mais velhos, que vivem mais e precisam complementar as pensões.

“Essa variação é impulsionada pelo envelhecimento populacional que interage com mudanças econômicas, comportamentais, políticas, legislativas, tecnológicas e de saúde. Juntas levam a uma maior absorção de mão de obra em idade avançada”, diz Ribeiro.

Para ele, o quadro demanda políticas públicas que melhorem a situação de trabalhadores mais velhos em todos os grupos socioeconômicos:

“Além de promover o envelhecimento ativo, essas ações são fundamentais para mitigar externalidades negativas, como o etarismo, e garantir a rápida adaptação do Brasil à nova realidade da demografia mundial.”

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