Crise em escolas de Bento: alunos sem aula em período integral e outros sem merenda completa

bilhete escola

Baixos salários afastam profissionais concursados, levando à redução de atendimento e comprometendo a alimentação escolar

 

A rede municipal de educação de Bento Gonçalves enfrenta uma crise que está comprometendo tanto o atendimento aos alunos quanto a alimentação escolar. Dois casos recentes ilustram a gravidade da situação: a Escola Municipal de Educação Infantil Simone Dalla Costa, no bairro Fátima, anunciou a redução do horário de atendimento, enquanto a Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Noely Clemente de Rossi, no bairro Santa Marta, comunicou aos pais que precisará substituir a merenda regular por biscoitos e suco devido à demissão de cozinheiras.
O problema central, conforme apontam pais e conselhos escolares, está nos baixos salários oferecidos pela Prefeitura de Bento Gonçalves, considerados um dos piores da Serra Gaúcha. A situação tem levado candidatos aprovados em concursos a recusarem as vagas, gerando escassez de profissionais.
Na EMEI Simone Dalla Costa, os pais foram surpreendidos com um comunicado informando que, a partir da próxima segunda-feira (12), a turma do Maternal I2 será atendida somente até o meio-dia por falta de professores e auxiliares de educação infantil.
A decisão foi tomada após reunião com o Conselho de Pais e Mestres (CPM), o Conselho Escolar e a própria secretária municipal de Educação, Andreza Peruzzo.
“Como ainda não recebemos pessoas e não temos ninguém previsto em quadro, a turma do Maternal I2 será atendida até o meio-dia. Precisamos nos unir para cobrar de quem realmente pode nos auxiliar”, diz o comunicado enviado às famílias.
Já na EMEF Professor Noely Clemente de Rossi, o problema afeta diretamente a alimentação das crianças. Em comunicado aos pais, a direção informou: “A partir de amanhã, 8 de maio, a escola estará oferecendo biscoitos e suco para o lanche dos alunos, pois estamos apenas com uma funcionária na cozinha. O cardápio completo voltará ao normal no momento em que recebermos as funcionárias da cozinha.”
Uma mãe compartilhou o bilhete em redes sociais questionando: “Recebemos esse bilhete hoje da escola, duas cozinheiras, funcionárias de anos da escola foram demitidas! Alguém me explica o que está acontecendo?”
A Prefeitura de Bento Gonçalves admite que desde o início do ano enfrenta dificuldades para preencher as vagas de profissionais da Educação Infantil. No caso da escola Simone Dalla Costa, a administração aponta a localização como um dos fatores que complicam o preenchimento dos cargos, apesar de os postos estarem abertos para contratações terceirizadas e emergenciais.
Segundo a prefeitura, estão sendo utilizados profissionais em regime de hora extra para minimizar os impactos, e as convocações continuam em andamento.
Educadores e representantes da comunidade escolar alertam que a baixa atratividade dos salários municipais está na raiz do problema. Diversas cidades da Serra Gaúcha oferecem remunerações mais competitivas, o que tem levado muitos candidatos a recusar a convocação ou abandonar os cargos logo após o início do contrato.
A decisão de reduzir o turno de atendimento gerou preocupação entre os pais, principalmente os que trabalham em horário comercial e dependem do turno integral para manter a rotina familiar e profissional.

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