O El Niño deve ampliar episódios de frio intenso, ondas de calor, tempestades, enchentes e chuvas extremas no Brasil e na América do Sul até 2027, segundo análise da MetSul Meteorologia
O El Niño já provocou uma mudança significativa no comportamento do clima na América do Sul e deve intensificar os eventos extremos nos próximos meses. A avaliação é da MetSul Meteorologia, que aponta maior frequência de chuvas intensas, enchentes, tempestades, ondas de calor e oscilações acentuadas de temperatura até o primeiro semestre de 2027.

Segundo a empresa, o atual cenário é resultado da consolidação do fenômeno na atmosfera, alterando a circulação dos ventos e favorecendo condições climáticas mais severas em diferentes regiões do continente.
No Rio Grande do Sul, os últimos meses já apresentaram características associadas ao El Niño. Entre maio e o início de julho, o Estado registrou sucessivas incursões de ar polar, temperaturas negativas em dezenas de municípios e, na sequência, uma intensa onda de calor que levou Porto Alegre a registrar a maior temperatura máxima para julho desde o início das medições, em 1910.
Logo após o período de calor extremo, o Estado enfrentou uma sequência de temporais, vendavais, granizo e chuvas intensas que provocaram enchentes em diversas regiões. Mais de 200 municípios registraram algum tipo de dano em apenas uma semana, segundo levantamento citado pela MetSul.
A empresa também destaca que fenômenos extremos foram registrados em outros países da América do Sul. No Chile, um temporal atingiu inclusive áreas do Deserto do Atacama, considerado o mais seco do planeta, provocando mortes, destruição de infraestrutura e milhares de pessoas afetadas.
Chuva deve ser o principal impacto no Sul
De acordo com a MetSul, o principal efeito do El Niño no Sul do Brasil será o aumento da frequência de episódios de chuva intensa. A primavera e o início do verão concentram o maior risco de temporais, acumulados elevados de precipitação, inundações e enchentes.
As projeções de modelos climáticos internacionais indicam que o período entre agosto e outubro deverá apresentar volumes de chuva acima da média em grande parte do Rio Grande do Sul.
Na temperatura, a tendência é de redução da frequência de ondas de frio e aumento dos períodos de calor, especialmente no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. No extremo sul da América do Sul, como na Patagônia, a expectativa é de frio intenso e grandes volumes de neve, comportamento considerado típico durante episódios de El Niño.





