Com volumes de chuva superiores a 350 mm em algumas regiões, estado enfrenta novo desastre climático com bloqueios em rodovias, cidades em emergência e alerta vermelho mantido até sexta-feira
As chuvas intensas que atingem o Rio Grande do Sul desde segunda-feira (16) já causaram a morte de duas pessoas, deixaram um homem desaparecido e forçaram mais de 2,6 mil pessoas a deixarem suas casas. O balanço atualizado até esta quinta-feira (19) mostra que 68 cidades gaúchas registraram danos, configurando o maior evento climático a atingir o estado desde as enchentes históricas de abril e maio de 2024.
Jaguari declara calamidade após cheia do rio
A situação mais crítica foi registrada em Jaguari, município de 10 mil habitantes na região central do estado. O prefeito Igor Tambara (MDB) declarou calamidade pública na noite de terça-feira (17) após a cheia do rio Jaguari inundar mais de 250 casas. Cerca de 1.200 pessoas ficaram fora de casa, com bairros inteiros isolados e resgates realizados por helicóptero.
Mortes confirmadas e desaparecimento
Na madrugada de quarta-feira (18), um jovem de 22 anos morreu após a queda da cabeceira de uma ponte sobre o rio Caí, na BR-116, entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis. Em Candelária, uma mulher morreu após o carro ser levado pela correnteza, e seu marido segue desaparecido.
Canoas volta a sofrer com alagamentos
A cidade de Canoas, que foi devastada nas chuvas do ano passado, voltou a sofrer com alagamentos. As aulas nas escolas municipais do lado oeste do município foram suspensas. Em 2024, cerca de 150 mil moradores foram afetados pelas enchentes que tomaram o estado.
Outras cidades também enfrentam dificuldades
Em Santa Cruz do Sul, quase 180 pessoas estão em abrigos e cerca de 400 desalojadas. Santa Maria registra mais de 400 afetados, enquanto Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul, São Borja, Agudo e Faxinal do Soturno também contabilizam dezenas de pessoas fora de casa.
Situação do município de Santa Tereza
Santa Tereza segue em situação de alerta, com equipes municipais monitorando continuamente as condições climáticas e o nível do Rio Taquari. Na manhã desta quinta-feira (19), o rio atingiu 9,62 metros na área central, mas a tendência de redução da vazão nas barragens contribui para um cenário mais estável. Durante a madrugada, o volume de chuvas nas cabeceiras do Taquari foi baixo, e a previsão indica manutenção desse quadro nas próximas horas. O município, que já enfrentou graves prejuízos na enchente de 2024, recentemente inaugurou a reconstrução da ponte sobre o Arroio Marrecão, fundamental para a ligação entre comunidades e cidades vizinhas.
Volumes de chuva excepcionais
Desde o fim de semana, algumas regiões já acumularam mais de 350 milímetros de precipitação. Em Quevedos, o volume chegou a 395 mm em 48 horas; Jaguari registrou 341,2 mm; Cachoeira do Sul, 326,9 mm; Agudo, 316,8 mm; Faxinal do Soturno, 311,6 mm. Porto Alegre acumulou cerca de 125 mm em 48 horas, superando a média histórica de junho (115 mm). Os maiores acumulados se concentram nas Missões, no Oeste, no Centro do estado, no Vale do Rio Pardo e na Grande Porto Alegre.
Alerta vermelho permanece
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mantém alerta de chuvas intensas válido para quase todo o estado até pelo menos sexta-feira (20), com risco de ventos de até 100 quilômetros por hora. Em uma faixa que se estende do noroeste do estado até o litoral, o órgão alerta para chuva superior a 100 milímetros por dia.
Defesa Civil em alerta severo
A Defesa Civil estadual informou que 68 municípios já registraram ocorrências relacionadas às chuvas. Os problemas vão de alagamentos e deslizamentos de terra até inundações e quedas de barreiras. Mais de 2,6 mil pessoas estão fora de casa devido à chuvarada.
Sistema meteorológico complexo
Meteorologistas explicam que um bloqueio atmosférico impede o avanço normal das frentes frias. A frente fria que chegou ao Rio Grande do Sul não consegue avançar e passou à condição de semi-estacionária sobre o estado, despejando chuva por dias seguidos quase na mesma área. Uma corrente de jato em baixos níveis da atmosfera atua no Rio Grande do Sul e transporta ar quente para o estado, alimentando a formação de nuvens carregadas com temporais e chuva forte.
Previsão para os próximos dias
A previsão indica que o Rio Grande do Sul deve seguir com clima chuvoso até sexta-feira (20). A Defesa Civil estadual mantém o estado em status de alerta severo devido aos volumes expressivos de precipitação já observados e à previsão de continuidade das chuvas volumosas.
Resposta das autoridades
O governador Eduardo Leite lembrou que os alertas sobre as chuvas foram publicados desde o fim de semana, buscando preparar os municípios para enfrentar os efeitos da instabilidade. As equipes estaduais permanecem em prontidão para apoiar as prefeituras e responder com agilidade às demandas emergenciais.
Sistema rodoviário severamente afetado
As rodovias do Rio Grande do Sul registram bloqueios totais e parciais em diversos trechos. Segundo atualização desta quinta-feira (19), há pelo menos 24 pontos de bloqueio total e 6 parciais em rodovias estaduais, além de interdições em federais como BR-116, BR-470 e BR-287. Em Porto Alegre, 14 pontos apresentavam bloqueio total por alagamento e seis cruzamentos estavam sem semáforo por falta de energia elétrica.
Resumo dos principais números (até 19/06/2025):
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2 mortes confirmadas
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1 pessoa desaparecida
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Mais de 2,6 mil pessoas fora de casa
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68 municípios afetados
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Acumulados de chuva superiores a 350 mm em diversas cidades
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24 pontos de bloqueio total em rodovias estaduais
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Alerta vermelho para quase todo o estado
Os números podem ser atualizados nas próximas horas, conforme novos dados da Defesa Civil e das prefeituras.





