Pesquisadores da Unicamp usa células de pele e sangue para reproduzir cérebro e testar tratamentos inovadores
Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com a geneticista Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo (USP), desenvolve uma técnica revolucionária para estudar a depressão. No Laboratório de Neuroproteômica, liderado pelo biólogo Daniel Martins-de-Souza, os pesquisadores criam minicérebros e neurônios a partir de células da pele e do sangue de pessoas com depressão.
técnica inovadora
As células coletadas são reprogramadas em laboratório para voltarem ao estado de células-tronco pluripotentes causadas (iPSCs). A partir desse ponto, os cientistas são direcionados para se transformarem em neurônios, células da glia — outro tipo importante do sistema nervoso — e até mesmo organoides cerebrais, estruturas 3D que simulam partes do cérebro humano, os chamados minicérebros.
ferramentas de pesquisa
Essa permite observar o desenvolvimento e a interação das células nervosas em um ambiente controlado, algo impossível em estudos diretos no cérebro humano. Além disso, a técnica abre caminho para testes de medicamentos e avaliação do papel específico dos genes na depressão, possibilitando “ligar” e “desligar” genes associados a proteínas observadas em cérebros de pessoas deprimidas.
pesquisas atuais
A investigação é vasta e deve durar pelo menos cinco anos. Entre os focos estão o metabolismo energético das células, o papel das células da glia na depressão, o potencial terapêutico do canabidiol para melhorar a função celular em pessoas deprimidas, e o comportamento de diferentes antidepressivos no sistema nervoso.
impacto e futuro
A depressão é um dos grandes desafios de saúde pública mundial, afetando mais de um bilhão de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde. Por ser uma doença complexa, envolve múltiplos fatores genéticos e neurobiológicos. A análise dos minicérebros poderá contribuir para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e personalizados, abrindo perspectivas promissoras na área da medicina regenerativa.
A colaboração entre instituições e o investimento em tecnologias inovadoras representam uma esperança para transformar o tratamento da depressão e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas.

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