Atlas lançado em 28 de outubro aponta risco em 346 municípios gaúchos, dos quais 125 estão nas categorias alta ou muito alta.
Inundações e enxurradas representam algum nível de risco para 878 dos 1.191 municípios da Região Sul, o equivalente a 73,7% das cidades dos três estados. O dado integra o Atlas de Risco a Inundações da Região Sul, lançado nesta quarta-feira (28) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que identificou 115 municípios na categoria de risco muito alto e outros 204 com risco alto.
O levantamento mostra que 319 municípios da região estão nas duas classificações mais preocupantes. Outros 290 foram enquadrados em risco médio e 269 em risco baixo. O estudo atualiza o Atlas de Vulnerabilidade a Inundações, publicado em 2014, e reúne mapas, informações hidrológicas e registros de ocorrências para identificar a exposição das áreas urbanizadas aos eventos.
Rio Grande do Sul concentra maior número de municípios em risco
Entre os três estados, o Rio Grande do Sul apresenta o maior número absoluto de municípios com risco identificado. São 346 dos 497 municípios gaúchos, o equivalente a 69,6% do total estadual.
Desse grupo, 43 municípios foram classificados com risco muito alto, 82 com risco alto, 108 com risco médio e 113 com risco baixo. Somadas, as duas categorias mais críticas abrangem 125 municípios gaúchos.
O estado já possui um atlas específico, elaborado após as cheias extraordinárias de 2023 e 2024. O novo levantamento regional amplia a análise e permite comparar a distribuição dos riscos entre os estados e as principais bacias hidrográficas.
Santa Catarina tem maior proporção de cidades expostas
Embora o Rio Grande do Sul lidere em números absolutos, Santa Catarina apresenta a maior proporção de municípios com risco de inundações ou enxurradas. São 266 dos 295 municípios catarinenses, correspondentes a 90,2%.
Desse total, 55 estão na categoria de risco muito alto, 79 na classificação alta, 77 na média e 55 na baixa. As duas categorias mais críticas somam 134 municípios, aproximadamente metade das cidades catarinenses com risco identificado.
O Atlas relaciona a exposição histórica de Santa Catarina à combinação de chuvas intensas, relevo acidentado e ocupação urbana de fundos de vale e planícies fluviais. O risco se concentra especialmente no litoral e na bacia do Rio Itajaí.
No Paraná, 266 dos 399 municípios, ou 66,7%, apresentam algum nível de risco. São 17 com classificação muito alta, 43 alta, 105 média e 101 baixa. As duas categorias mais críticas reúnem 60 municípios.
Bacias hidrográficas concentram áreas mais vulneráveis
A distribuição dos riscos também varia conforme as bacias hidrográficas. As Bacias Litorâneas Estaduais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul concentram, respectivamente, 95 e 84 municípios classificados com risco alto ou muito alto.
Também aparecem entre as áreas mais críticas as bacias dos rios Uruguai, com 57 municípios nessas categorias, e Iguaçu, com 40.
No litoral catarinense, a bacia do Rio Itajaí reúne o maior número de municípios com risco muito alto, 25, além de outros 18 com risco alto. As bacias dos rios Araranguá e Tubarão têm 11 municípios cada nessa condição.
No território gaúcho, destacam-se a bacia Taquari-Antas, com 18 municípios nas categorias alta e muito alta, a do Rio dos Sinos, com 14, a do Baixo Jacuí, com 11, e a do Rio Caí, com nove.
Na bacia do Uruguai, o Atlas identifica risco muito alto em municípios ribeirinhos como Itapiranga, em Santa Catarina, e Barra do Guarita, Porto Xavier, São Borja, Itaqui e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.
Mudanças climáticas ampliam preocupação com eventos extremos
A atualização do estudo ocorre em um cenário de intensificação dos eventos climáticos extremos. O Atlas cita avaliações do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), segundo as quais as mudanças climáticas tendem a aumentar a frequência e a intensidade desses fenômenos.
Estudos utilizados na publicação também apontam tendências de aumento na magnitude e na frequência de cheias e inundações na Região Sul.
Desde a edição anterior, de 2014, houve avanços nos registros de desastres, na ampliação da Rede Hidrometeorológica Nacional e na implantação de sistemas de alerta. Entre os exemplos estão os sistemas operados pelo Serviço Geológico do Brasil nas bacias dos rios Caí, desde 2012, Taquari, desde 2015, e Uruguai, desde 2018.
Atlas deve orientar prevenção e investimentos
A metodologia combina três abordagens: cruzamento de áreas urbanizadas com manchas de inundação, análise de cheias a partir de estações fluviométricas e avaliação da frequência dos eventos e dos danos humanos registrados no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
A classificação final considera a maior categoria de risco identificada entre os métodos aplicáveis e passa por revisão e validação dos órgãos estaduais.
Além de identificar as áreas mais vulneráveis, o documento pretende subsidiar decisões sobre investimentos em prevenção, ampliação do monitoramento hidrológico, sistemas de alerta e elaboração de planos de contingência.
O Atlas foi desenvolvido com a colaboração de órgãos ambientais e de defesa civil do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além do Serviço Geológico do Brasil.
A publicação completa pode ser consultada no Atlas de Risco a Inundações da Região Sul. Os mapas interativos e as bases de dados estão disponíveis no painel da ANA.





