Assembleia Legislativa passará a receber denúncias e encaminhará relatos ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público Estadual. OAB orienta advogados sobre denúncias
Listas de boicote político circulam em diferentes municípios do Rio Grande do Sul e emtodo o Brasil e expõem empresas, comerciantes e profissionais liberais associados, por quem elaborou as relações, ao PT ou à esquerda. Compartilhadas principalmente por aplicativos de mensagens e redes sociais, as listas incentivam consumidores a deixar de comprar produtos ou contratar serviços dos nomes citados.
Em Porto Alegre, uma das relações reúne mais de 50 nomes. Em Nova Petrópolis, a lista chegou a 38 estabelecimentos. Campo Bom tem cerca de 30 empresas e pessoas citadas, enquanto uma relação conjunta de Rolante e Riozinho inclui mais de 35 estabelecimentos e pessoas.

Assembleia Legislativa receberá denúncias de boicotes políticos
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (CDH/ALRS) passará a receber denúncias de boicotes contra empresas, comerciantes, empreendedores, prestadores de serviços e trabalhadores em razão de suas posições políticas nas eleições deste ano.
A iniciativa é do deputado estadual Pepe Vargas e foi acolhida pelo presidente da comissão, Adão Pretto. Os relatos recebidos serão encaminhados ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério Público do Estado (MPRS), com solicitação de apuração dos casos e adoção das providências cabíveis.
Como denunciar: os relatos podem ser encaminhados pelo telefone (51) 3210-1621 ou pelos canais oficiais da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.
Em Bento Gonçalves, OAB orienta advogados sobre denúncias
A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) em Bento Gonçalves divulgou orientações à advocacia local após relatos de perseguição, intimidação e inclusão de profissionais em listas digitais de boicote motivadas por posicionamentos políticos.
A entidade recomenda três procedimentos aos advogados que se considerem atingidos:
- Preservação de provas: lavrar ata notarial em cartório ou utilizar tecnologia digital reconhecida para documentar as evidências.
- Registro policial: registrar boletim de ocorrência para comunicar ameaças e constrangimentos às autoridades competentes.
- Acompanhamento institucional: notificar a Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas (CDAP) da subseção para receber suporte e avaliar as medidas cabíveis.
Porto Alegre tem mais de 50 nomes em uma das listas
Na capital gaúcha, uma das relações reúne mais de 50 nomes de empresas e perfis em redes sociais. As mensagens incentivam consumidores a interromper relações comerciais com os citados em razão de supostos posicionamentos políticos.
O Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (Sindha) se posicionou contra listas baseadas na preferência política real ou presumida dos proprietários. A entidade alertou que boicotes podem prejudicar não apenas os donos dos negócios, mas também trabalhadores, fornecedores e famílias com diferentes opiniões políticas.
O sindicato pediu que as listas não sejam compartilhadas e que os consumidores continuem frequentando os estabelecimentos.
Nova Petrópolis chega a 38 estabelecimentos listados
Em Nova Petrópolis, a relação passou de 32 para 38 estabelecimentos. A circulação das listas levou moradores a procurar as autoridades. Cerca de 40 pessoas registraram uma ocorrência coletiva, entre elas profissionais liberais, empresários e outros moradores.
Também há registro de pelo menos 30 pessoas com ocorrências relacionadas ao caso. Os números não devem ser somados, pois podem corresponder a períodos ou critérios diferentes.
A Prefeitura, a Associação Comercial e Industrial, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Associação das Malharias de Nova Petrópolis e Picada Café manifestaram oposição às listas que expõem cidadãos e incentivam boicotes a empresas e profissionais.
Campo Bom, Rolante e Riozinho também aparecem
Em Campo Bom, uma relação intitulada “empresas petistas” reúne cerca de 30 empresas e pessoas, incluindo restaurantes e nomes conhecidos no município.
Em Rolante e Riozinho, uma lista conjunta contém mais de 35 estabelecimentos e pessoas. A relação utiliza a expressão “lista de comunistas” e incentiva o boicote aos nomes associados a esse posicionamento político.
Também há relatos de circulação de listas em Torres, Santa Maria, Caxias do Sul, Restinga Sêca, Venâncio Aires e Bento Gonçalves. Os dados reunidos não apresentam uma contagem específica para essas cidades.
Mensagens incentivam a interrupção de compras e contratações
As listas associam negócios e pessoas ao PT ou à esquerda e são compartilhadas em grupos de WhatsApp e redes sociais. As mensagens orientam consumidores a evitar determinados estabelecimentos, cancelar contratos ou deixar de contratar os profissionais citados. Em alguns casos, incluem frases hostis e apelos para provocar prejuízos financeiros.
Uma padaria de Bento Gonçalves se sentiu ameaçada e foi às redes sociais negar ter posicionamento partidário.
NO BRASIL
Capitais: a Folha identificou listas em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, além de cidades do interior paulista e mineiro
Petrópolis, no Rio: uma lista compartilhada em grupos de WhatsApp incluía 40 estabelecimentos e prestadores de serviços, entre eles manicures, fisioterapeutas, mecânicos, bares e advogados
Minas Gerais: foram identificadas campanhas em diferentes municípios. O PT mineiro apresentou representação para investigar perfis que divulgavam listas e incentivavam demissões ou recusas de contratação. Representação é um pedido de investigação, não prova de culpa.valor.globo+1
Alagoas: listas incluíram artistas, estabelecimentos e profissionais liberais; o MPT informou acompanhar os casos
Franca, em São Paulo: a imprensa local relatou circulação de lista e ameaças a empresas supostamente associadas ao PT.



