O feminicídio continua ocorrendo, em sua maioria, dentro de relações afetivas. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que 79,8% dos autores identificados dos crimes registrados em 2025 eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
O percentual contrasta com o cenário das demais mortes violentas intencionais, em que apenas 7% dos autores tinham esse tipo de vínculo com a vítima.

Outro dado que chama a atenção é a baixa participação de desconhecidos. Eles responderam por 2,8% dos feminicídios registrados no ano passado, contra 5,8% em 2024.
Os números reforçam que o feminicídio está diretamente relacionado à violência de gênero e, na maioria dos casos, acontece em ambientes de convivência e relações de confiança, diferentemente de outros homicídios.
Lei amplia proteção às mulheres
O levantamento também ganha relevância diante da criação do crime de vicaricídio, sancionado em abril deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A nova legislação inclui esse tipo de violência no âmbito de proteção da Lei Maria da Penha e estabelece pena de 20 a 40 anos de prisão para quem matar filhos, dependentes ou pessoas ligadas à vítima com a intenção de provocar sofrimento psicológico à mulher.
Segundo especialistas, o objetivo da lei é reconhecer que a violência doméstica pode atingir pessoas próximas da vítima como forma de controle, retaliação ou punição.
Casos recentes reforçam o debate
Entre os episódios que chamaram a atenção está o caso do homem que confessou ter matado as duas filhas, de 3 e 5 anos, na zona sul de São Paulo. Conforme as investigações, ele já havia ameaçado a ex-companheira antes do crime.
Outro caso ocorreu em Jandira (SP), onde um homem foi preso após ameaçar matar a ex-companheira, os três filhos e um ex-cunhado.
Especialistas afirmam que situações como essas evidenciam a necessidade de ampliar mecanismos de proteção às mulheres e de incentivar a denúncia de ameaças e outras formas de violência antes que elas evoluam para crimes mais graves





