IBGE estima 1,6 milhão de crianças e adolescentes trabalhando, mas ações fiscais afastaram apenas 2.745 em 2024. Denúncias aumentam, mas resposta ainda é limitada
O Brasil ainda convive com um cenário alarmante de trabalho infantil. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam trabalhando em 2024, muitas em atividades proibidas por lei.
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Apesar da dimensão do problema, a fiscalização alcançou menos de 1% desses casos. Dados do Ministério do Trabalho mostram que apenas 2.745 menores foram retirados dessa condição ao longo de 2024, o equivalente a cerca de 0,2% do total estimado.
📉 Denúncias aumentam, mas resposta ainda é limitada
O volume de denúncias também cresceu. O Disque 100 registrou cerca de 4,2 mil relatos de trabalho infantil em 2024, número que subiu para mais de 5,1 mil em 2025, um aumento de 19,4%.
Mesmo assim, o número de crianças afastadas segue muito distante da realidade estimada pelas pesquisas oficiais, evidenciando falhas na capacidade de fiscalização e proteção.
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⚠️ Piores formas de exploração concentram maioria dos resgates
Em 2025, o Ministério do Trabalho afastou pouco mais de 4 mil crianças e adolescentes do trabalho infantil. Cerca de 80% desses casos envolviam as chamadas piores formas de exploração, como:
- tráfico de drogas
- exploração sexual
- trabalho nas ruas
- atividades insalubres
- atividades digitais, como influenciadores mirins
Essas práticas estão previstas em decreto federal que lista mais de 90 ocupações consideradas perigosas ou degradantes para menores de idade.
👦👧 Perfil das vítimas
Segundo o IBGE, a maioria das crianças em trabalho infantil são meninos pretos ou pardos, principalmente na faixa etária entre 16 e 17 anos.
Nas piores formas de exploração, o número estimado é de 560 mil crianças e adolescentes em 2024.
🧩 Estrutura insuficiente para combater o problema
Para especialistas, o contraste entre o número estimado e o total de resgates não significa redução do trabalho infantil. Segundo a coordenadora do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), Katerina Volcov, o cenário reflete limitações estruturais na fiscalização e na rede de proteção.
Mesmo com a ampliação recente do quadro de auditores-fiscais, o Brasil ainda está abaixo dos parâmetros recomendados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
⚖️ O que diz a legislação
A legislação brasileira proíbe qualquer trabalho antes dos 16 anos, com exceção do contrato de aprendizagem a partir dos 14 anos.
📊 Quadro-resumo dos dados
| Indicador | Número |
|---|---|
| Crianças em trabalho infantil (2024) | 1,6 milhão |
| Crianças nas piores formas de exploração | 560 mil |
| Afastados pela fiscalização em 2024 | 2.745 |
| Denúncias Disque 100 em 2024 | 4,2 mil |
| Denúncias Disque 100 em 2025 | 5,1 mil |





