Com oferta de emprego em alta, trabalhadores estão mais confiantes para pedir demissão: mais de 638 mil trabalhadores pediram para sair do emprego formal em buca de mais benefícios e melhor remuneração
O ano de 2025 marcou uma virada no mercado de trabalho do Rio Grande do Sul: pela primeira vez, a demissão voluntária foi o principal motivo de desligamento com carteira assinada no Estado. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pela Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS), mostram que 41% dos 1,57 milhão de contratos encerrados no período foram por iniciativa do próprio trabalhador.
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Ao todo, 638.154 pessoas pediram demissão, um aumento de 6% em relação a 2024. Em seguida, aparecem as demissões sem justa causa, o término de contratos temporários e desligamentos por acordo.
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Segundo especialistas, o fenômeno está ligado a um mercado de trabalho aquecido, com baixa taxa de desemprego e maior mobilidade profissional.
“O aumento dos desligamentos a pedido pode ser entendido como um indicativo de maior espaço de negociação do trabalhador no mercado de trabalho”, aponta o estudo técnico da FGTAS.
Motivos de desligamento em 2025 no Rio Grande do Sul
| Motivo do desligamento | Percentual |
|---|---|
| A pedido do trabalhador | 41% |
| Sem justa causa (empresa) | 38,1% |
| Término de contrato determinado | 17,9% |
| Por acordo | 1% |
| Outros | 2% |
Quem mais pediu demissão
Os dados revelam um perfil claro: mulheres, jovens e trabalhadores mais escolarizados lideram os pedidos de demissão.
Entre os 638 mil desligamentos voluntários:
- 321.692 eram mulheres
- 316.462 eram homens
Faixa etária dos que pediram demissão
- 29%: 18 a 24 anos
- 25%: 30 a 39 anos
- 18%: 25 a 29 anos
- 16%: 40 a 49 anos
- 8%: 50 a 64 anos
Escolaridade
- 54%: Ensino Médio completo
- 8%: Ensino Superior completo
- 9%: Ensino Fundamental completo
Setores com mais demissões voluntárias
O fenômeno se concentrou principalmente em áreas com alta rotatividade e oferta de vagas:
| Setor econômico | Participação |
|---|---|
| Serviços | 38% |
| Comércio | 29% |
| Indústria | 23% |
| Construção | 5% |
| Agropecuária | 4% |
Mercado aquecido impulsiona rotatividade
O presidente da FGTAS, José Scorsatto, relaciona o crescimento dos pedidos de demissão ao aquecimento do mercado de trabalho. O último levantamento do IBGE apontou taxa de desemprego de apenas 4,1% no Rio Grande do Sul, a menor já registrada.
Com mais vagas disponíveis, trabalhadores tendem a trocar de emprego em busca de melhores salários, maiores benefíicios, condições de trabalho ou qualidade de vida, o que aumenta a rotatividade.
Perfil geral dos desligados em 2025
Considerando todos os desligamentos (não apenas voluntários):
- 54,4% eram homens
- 45,5% mulheres
- 25,5% tinham entre 18 e 24 anos
- 25,4% entre 30 e 39 anos
- 17,5% entre 40 e 49 anos
- 17,4% entre 25 e 29 anos
- 10,2% entre 50 e 64 anos
- 53,6% tinham Ensino Médio completo
RESUMO FINAL – O QUE OS DADOS MOSTRAM
- ✔ 2025 teve recorde de pedidos de demissão no RS
- ✔ Trabalhadores estão mais confiantes para trocar de emprego
- ✔ Mulheres, jovens e escolarizados lideram a mobilidade
- ✔ Serviços e comércio concentram a rotatividade
- ✔ Baixo desemprego impulsiona a troca de vagas





