Ondas de calor têm se tornado mais intensas com as mudanças climáticas e cientistas buscam entender como o calor extremo muda a forma que o nosso cérebro funciona
O neurologista Sanjay Sisodiya, da University College London, um dos pioneiros no estudo dos impactos do clima no cérebro, afirma que o aumento das temperaturas agrava uma série de doenças neurológicas, como epilepsia, acidente vascular cerebral (AVC), esclerose múltipla e enxaqueca. Segundo ele, muitos processos cerebrais estão envolvidos na forma como o corpo lida com o calor, tornando as pessoas mais vulneráveis a crises durante ondas de calor.
Efeitos do calor no cérebro
- Alteração do funcionamento cerebral: O calor pode alterar o funcionamento do cérebro, tornando as pessoas mais violentas, irritadas e depressivas. A temperatura afeta moléculas responsáveis por transmitir mensagens entre as células cerebrais, que param de trabalhar de forma eficiente quando o cérebro está muito quente.
- Agravamento de doenças neurológicas: Condições como a Síndrome de Dravet, epilepsia e demência são agravadas pelo calor extremo. Em alguns casos, a capacidade de suar pode ser comprometida, e a termorregulação — uma função do cérebro — pode ser prejudicada. Pessoas com esclerose múltipla também têm a temperatura central do corpo alterada, e medicamentos para esquizofrenia podem afetar a regulação da temperatura.
- Aumento de casos de AVC: Estudos mostram que o aumento da temperatura está associado ao crescimento de casos e mortes por AVC. Em 25 países analisados, os dias mais quentes contribuíram para duas mortes adicionais a cada mil.
- Partos prematuros: As ondas de calor estão associadas a um aumento de 26% na ocorrência de partos prematuros, o que pode levar a atrasos no desenvolvimento neurológico e prejuízos cognitivos em recém-nascidos.
- Vulnerabilidade a infecções: O calor afeta a barreira hematoencefálica, que protege o cérebro, tornando-o mais vulnerável a toxinas, bactérias e vírus. As temperaturas mais altas também favorecem a expansão de mosquitos que transmitem vírus como o Zika, chikungunya e dengue, capazes de causar doenças neurológicas.





