Sete estados brasileiros concentraram, no ano passado, mais de 80% de toda a exportação para os EUA e são os que em que houve mais apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro na última eleição presidencial.
O tarifaço de 50% anunciado pelo presidente americano Donald Trump sobre produtos brasileiros, oficializado na quarta-feira (30/7) pelo governo americano, pode ter impacto econômico em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, segundo dados do governo.
O valor real do impacto ainda não foi calculado. E nem toda exportação será afetada: o texto do decreto que formaliza a medida traz uma série de exceções às taxações. Os setores de petróleo, polpa e suco de laranja e aviões, por exemplo, aparecem na lista de produtos brasileiros isentos
Sete estados brasileiros concentraram, no ano passado, mais de 80% de toda a exportação para os EUA: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Desses, com exceção de Minas, em que Lula ganhou por margem apertada (50,2% dos votos válidos), todos deram vitória a Bolsonaro no segundo turno do pleito de 2022 (veja mais detalhes no gráfico), segundo dados compilados pela BBC News Brasil.
Carne, frutas e café não entraram na lista de exceções – produtos exportados em grandes quantidades pelos Estados que concentram eleitores de Bolsonaro.
O secretário de Comércio dos Estados Unidos abriu possibilidade de tarifa zero para produtos agrícolas que os americanos não cultivam — algo que seria aplicado a todos os parceiros comerciais, não apenas o Brasil.
As novas tarifas entrarão em vigor em sete dias, a partir do dia 6 de agosto. Antes a previsão era que as novas taxas seriam implementadas já na sexta-feira (1º/8).
Foram cerca de US$ 40 bilhões exportados no ano passado aos EUA, sendo os mais comuns os combustíveis minerais, café, ferro, aço, carnes e outros. Só São Paulo concentra mais de 30% dessas exportações – foram US$ 13,5 bilhões em 2024, ao todo.
Um dos motivos citados por Trump para a taxação foi o tratamento dado a Bolsonaro pela Justiça brasileira no processo em que ele é acusado de tramar um golpe de Estado
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) calcula que a lista de exceções ao tarifaço representa 43,4% do total das exportações brasileiras.
“Embora essas exceções atenuem parcialmente os efeitos da tarifa de 50% anunciada, a Amcham reforça que ainda há um impacto expressivo sobre setores estratégicos da economia brasileira”, diz nota da entidade.
“Produtos que ficaram de fora da lista continuam sujeitos ao aumento tarifário, o que compromete a competitividade de empresas brasileiras e, potencialmente, cadeias globais de valor.”
O decreto de Trump detalha 694 produtos específicos isentos. Em geral, minerais, produtos energéticos, metais básicos, fertilizantes, papel e celulose, alguns produtos químicos e bens para aviação civil estão isentos da tarifação adicional.
‘Janela de oportunidade para a direita’
O professor de Ciência Política da FGV Carlos Pereira afirma que as tarifas impostas por Trump podem afetar setores que historicamente são aliados de Bolsonaro.
“Esse tarifaço teve como motivação uma tentativa de fragilizar a suprema corte perante a sociedade e, consequentemente, fortalecer a direita. Só que o tiro saiu pela culatra, não foi isso que aconteceu”, diz Pereira.
“Como demonstrado vários desses estados em que Bolsonaro foi muito bem votado são os que mais vão perder.”
Ele vê a situação, no entanto, como uma janela de oportunidade para outras lideranças de direita
Governadores de estados que mais exportaram aos EUA miram Lula nas críticas
Os governadores de alguns dos estados que mais podem ser atingidos pelo tarifaço têm repetido críticas ao presidente Lula nos últimos dias pelo que avaliam como falta de diálogo com os EUA.
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Jr. (PSD-PR) destacaram em falas públicas o que chamaram de falta de negociação do governo brasileiro com o americano. Já Eduardo Leite (PSD-RS) condenou também a articulação da família Bolsonaro no país.





