Polícia Civil investiga crimes como lesão corporal, maus-tratos e extorsãona clínica para dependentes químicos que mantinha internos sob ameaça, dopagem e agressões físicas
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu preventivamente nesta semana dois proprietários de uma clínica para dependentes químicos em Farroupilha, após investigações apontarem práticas sistemáticas de tortura, cárcere privado e outros crimes graves contra internos. A operação contou com o apoio do Ministério Público e da Assistência Social, mobilizando 13 policiais civis para o cumprimento dos mandados.
Segundo a investigação, a maioria dos internos estava internada de forma irregular, sem respaldo judicial ou indicação médica, sendo mantida à força e dopada por dias. Após recobrarem a consciência, eram obrigados a realizar tarefas sem remuneração, impedidos de sair e submetidos a punições físicas caso tentassem fugir. Relatos colhidos pela polícia descrevem agressões, sufocamento, ameaças e até casos de extorsão, com famílias sendo coagidas a pagar altas quantias para liberação dos pacientes.
Casos semelhantes já foram alvo de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve prisões preventivas e ações penais contra donos de clínicas clandestinas acusados de maus-tratos, cárcere privado e tortura em diferentes estados, reconhecendo a gravidade das práticas e a necessidade de responsabilização penal dos envolvidos.
Os internos resgatados foram encaminhados às famílias ou cidades de origem, com acompanhamento da assistência social. As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e garantir a responsabilização dos responsáveis.





