60% das mortes por câncer de testículo ocorrem em homens de 20 e 39 anos

SAUDE TESTICULO

 Com 454 óbitos registrados em dez anos, Rio Grande do Sul é o segundo estado mais afetado pela doença no país

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) promove a campanha Abril Lilás para conscientizar sobre o câncer de testículo, doença que atinge principalmente homens entre 15 e 40 anos. Dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde revelam que, entre 2014 e 2023, ocorreram 4.000 mortes pela doença no Brasil. No mesmo período, a maior parte das mortes ocorreu em homens de 20 a 39 anos, totalizando 2.444 óbitos (1.327 na faixa de 20 a 29 anos e 1.117 na faixa de 30 a 39 anos), o que representa aproximadamente 60% do total.

O Rio Grande do Sul figura em posição preocupante neste cenário nacional. Os estados mais afetados pela mortalidade por câncer de testículos entre 2014 e 2023 foram São Paulo (1.113 óbitos), Rio Grande do Sul (454), Minas Gerais (374), Rio de Janeiro (335), Paraná (365), Bahia (153), Pernambuco (108) e Ceará (105). Os números colocam o estado gaúcho na segunda posição do ranking nacional, atrás apenas de São Paulo.

Principais cidades gaúchas em alerta

Embora não existam dados públicos específicos sobre a incidência por município na faixa etária de 20 a 39 anos, é importante que homens jovens das maiores cidades do Rio Grande do Sul estejam atentos aos sinais da doença. De acordo com o censo do IBGE de 2022, as cidades mais populosas do estado são Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas, Pelotas, Santa Maria, Passo Fundo, Gravataí, Viamão, São Leopoldo e Rio Grande.

Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Ministério da Saúde, foram realizadas 25.075 orquiectomias (retirada de um ou ambos os testículos) de 2019 a 2023 no Brasil. No Rio Grande do Sul, foram contabilizadas 1.976 cirurgias deste tipo no período.

Um estudo publicado com base nos dados do Datasus mostra que o Rio Grande do Sul é o estado com o maior número de municípios onde o câncer já é a principal causa de morte: 124 cidades, entre elas Caxias do Sul e Gramado. Enquanto em todo o Brasil as mortes por câncer representam 16,46% do total, no território gaúcho esse índice chega a 21,64%.

Dr. André Salazar, urologista supervisor da Disciplina de Câncer de Testículo da SBU, explica que “o principal sinal de alerta é o aparecimento de um nódulo ou aumento no volume de um dos testículos, geralmente indolor”. Outros sinais incluem sensação de peso no escroto, dor ou desconforto no testículo ou na região inferior do abdômen e, em casos mais avançados, dor lombar ou aumento das mamas.

Prevenção e diagnóstico precoce

Apesar de o câncer de testículo ser altamente curável, com taxas de cura superiores a 90%, ele pode levar a óbito, especialmente quando diagnosticado tardiamente. Muitos homens jovens negligenciam os sinais iniciais por desconhecimento, vergonha ou medo.

A detecção precoce é fundamental. O autoexame testicular é uma prática simples e eficaz, que deve ser realizado uma vez por mês, preferencialmente após um banho quente, quando a pele do escroto está relaxada. Este procedimento permite identificar qualquer alteração ou anormalidade nos testículos.

Embora não seja possível prevenir a maioria dos casos desta doença, uma vez que muitos homens com câncer de testículo não têm fatores de risco conhecidos, é prudente corrigir a criptorquidia (descenso incompleto do testículo) ainda na infância.

Como prevenir

As principais medidas de prevenção incluem:

  1. Correção cirúrgica da criptorquidia: A cirurgia para corrigir testículos não descidos, quando realizada na infância, pode reduzir o risco de desenvolver câncer de testículo.
  2. Autoexame regular: Realizar o autoexame testicular mensalmente, preferencialmente após o banho quente, é essencial para a detecção precoce.
  3. Conhecer o histórico familiar: Homens com parentes de primeiro grau que tiveram câncer de testículo devem estar particularmente atentos.
  4. Manter um estilo de vida saudável: Evitar o tabagismo, manter peso adequado e praticar exercícios físicos regularmente pode contribuir para a saúde geral.
  5. Consultas médicas regulares: Homens com fatores de risco devem realizar consultas periódicas com um urologista.
  6. Evitar exposição a toxinas ambientais: Reduzir, quando possível, a exposição a substâncias químicas, usando equipamentos de proteção quando necessário.

O diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para aumentar as chances de cura. Os gaúchos devem ficar atentos e buscar orientação médica ao primeiro sinal de alteração nos testículos.

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