Passaportes do senador não foram apresentados até o fim do prazo, e a Polícia Federal apura se ele deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na eleição presidencial, não entregou os passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A PF investiga se o parlamentar deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, possivelmente com destino aos Estados Unidos.
Diante do descumprimento da ordem judicial, a Polícia Federal deve informar Moraes e providenciar o cancelamento dos documentos. Segundo investigadores, não há registro formal da saída de Flávio do país, o que indica que ele não teria passado por um posto oficial de controle migratório.
A defesa do senador ainda não havia se manifestado sobre a suspeita de saída do país.
Flávio foi intimado por agentes da PF na segunda-feira a apresentar os documentos em até 24 horas. O prazo terminou na manhã desta terça-feira.
Além de determinar a entrega dos passaportes, Moraes proibiu o senador de deixar o Brasil e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, amigo pessoal de Flávio. Os dois são investigados em um inquérito no STF por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. De acordo com a PF, Tomaz está fora do país desde agosto.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que foi intimado na rua, depois de sair do condomínio onde mora, no Lago Sul, em Brasília, a caminho da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, declarou o senador.
Flávio também afirmou que a decisão de Moraes se baseou em uma declaração feita por seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em 23 de outubro, segundo a qual ele deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição.
Na sexta-feira anterior ao segundo turno, Eduardo defendeu, em entrevista a um programa dos Estados Unidos, que o irmão deixasse o país em caso de derrota. Flávio perdeu a disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito ao cargo no domingo.





