Você sofre de insônia?

2015-04-10_190211
Letícia Simioni Schossler Psicóloga- CRP 07/23986 Especializanda em Psicologia Clínica de Orientação Psicanalítica (54) 99121-3633 leticiassc@terra.com.br

A insônia é um problema que afeta um percentual significativo de brasileiros (36,5% da população, segundo a Associação Brasileira do Sono-2017), sendo descrita em manuais de saúde mental como uma condição de qualidade e/ou de quantidade insatisfatória de sono, persistente por um período considerável de tempo (CID-10).
No momento em que nos encontramos na história, de fato, o ato de relaxar e dormir parece estar na contramão em tempos de excesso de trabalho e exigências provenientes tanto do externo como de cada um para consigo mesmo, afinal “tempo é dinheiro”, mas seria pouco verdadeiro atribuir aos problemas de sono somente os fatores externos.
Os prejuízos pela falta do sono são bastante conhecidos, e geralmente acabam sendo sentidos com maior intensidade no dia seguinte; quando o problema se torna crônico, a pessoa passa a ter um sofrimento muito intenso, podendo ter alterações de ordem física como emocional/psicológica, já que em casos de insônia, as funções, em geral reparadoras, que são próprias do sono ficam prejudicadas.

Nesses casos, não faltam “receitas”para auxiliar na hora do sono, desde chás, alimentação leve, e até mesmo a troca do travesseiro, do colchão, etc… Mas e quando nada disso resolve, e o sujeito se vê acordado noites adentro? O que pode estar envolvido no processo de insônia e contribuir para que a pessoa literalmente perca o sono?
Existem vários tipos de insones…há os que sofrem com a agitação física, outros com um excesso de atividade mental, com pesamentos que vem e vão, e que parecem escolher justo o horário noturno para aparecerem. Será mesmo que essa agitação e esses pensamentos já não deram sinais importantes durante dias ou talvez anos?
Aqueles que persistem, durante o dia, em negar suas dificuldades e conflitos, acabam sendo surpreendidos a noite, quando a insônia se faz presente e não permite mais que o sujeito ignore seus conflitos (que podem, conscientemente, ter várias origens, como problemas familiares, financeiros, profissionais, etc.), impondo a pessoa a ser dar conta de que algo realmente não anda bem.
O sono é uma experiência íntima, de entrega do sujeito para com o mundo e consigo mesmo, não apenas uma necessidade, mas um prazer, afinal, uma noite bem dormida tem um valor precioso e é claramente um ato amoroso do sujeito para ele mesmo. Em algumas situações, o egoísmo necessário para poder dormir profundamente e gozar de uma noite de sono bem dormida pode ser uma das causas pelas quais o sujeito não consegue dormir.

Em outras, a segurança necessária para adormecer pode estar abalada internamente, sejam por situações mais primitas, das quais possivelmente o sujeito não tem consciência, de sua história de vida, por situações traumáticas em geral ou até mesmo pelo medo que o sujeito possa ter pela perda do controle que relacionada ao sono e aos sonhos que podem ser produzidos. Independente da origem, é fato que sofrer de insônia abala a qualidade de vida daquele que não dorme, e pode também acabar respingando, por exemplo, em relação àquele com quem o insone divide a cama.
A partir disso, as possibilidades de tratamento por meio da escuta e análise pessoal certamente podem favorecer e muito a compreensão e tomada de consciência a respeito das origens frente a impossibilidade psíquica do dormir e do que está atrelado a isso, para que assim, existam possibilidades de melhora da qualidade de vida do sujeito, e porquê não dizer, também daquele com quem ele convive.