Pai e filho assassinados no Municipal
30/07/2010 09:42:38
Acusados de terem cometido o duplo homicídio na noite de segunda se apresentam na Delegacia
Itamar Oliveira da Silva (foto acima) de 40anos e seu filho Everson Jonatas da Silva de 23 anos
Itamar Oliveira da Silva, o Titão, de 40 anos e seu filho, Everson Jonatas da Silva, Buiu, de 23 anos foram sumariamente executados na noite de segunda-feira dentro de sua própria casa, no bairro Municipal. O pai recebeu um tiro na cabeça e teve morte instantânea. Everson recebeu um tiro na nuca e outro na perna e chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda na ambulância de resgate, que seguia em direção ao hospital.
A Brigada Militar foi acionada às 18h45min por vizinhos que afirmam terem visto quatro homens pararem um automóvel Chevette cinza do outro lado da rua. Dois correram para os fundos da residência, para evitar que as vítimas fugissem e, os outros teriam entrado no local já atirando.
Além das duas vítimas um segundo filho de Titão, com 16 anos e um amigo dele também estavam na casa no momento da invasão e presenciaram o crime, mas não foram incomodados. Tanto o pai quanto o filho morto possuíam passagem pela polícia. Itamar foi preso por roubo, furto, porte ilegal de arma e estelionato. Everson havia sido preso por furto e roubo, que normalmente eram cometidos para comprar drogas. A motivação do crime seria vingança porque os autores teriam sido alvo dos furtos de Everson.

“Foi o pior dia da minha vida”, conta mãe que viu filho agonizando
Para Fátima de Oliveira Garcia, mãe e esposa das vítimas, aquele foi o pior dia da sua vida. Fátima era casada com Itamar há 26 anos. Da união foram concebidos seis filhos. Ela relata que havia trabalhado o dia inteiro e ao chegar em casa, por volta das 18h30min, viu seu marido morto logo na entrada da residência e seu filho agonizando no chão do quarto. Rapidamente, amparada por uma vizinha, chamou o Corpo de Bombeiros, que compareceu no local e levou Everson na ambulância.
Fátima conta que tanto o filho como o marido mortos eram viciados em crack. Everson já havia cometido pequenos furtos para alimentar o vício. Conta ainda, que por diversas vezes tinha tentado buscar ajuda para que o rapaz fizesse tratamento, mas nunca havia conseguido um local para interná-lo. A mãe lembra com amargura que o filho começou a se envolver com drogas quando tinha apenas 16 anos, por influência de amigos da comunidade. “Ele já não trabalhava mais e estava completamente viciado no crack. Chegava a roubar dos próprios parentes. Muitas vezes trazia os objetos roubados para casa, eu tinha que ir devolver quando sabia de quem eram”.
A família já havia recebido ameaça de morte diversas vezes, das vítimas dos furtos cometidos por Everson. Apesar do acontecido, ela conta que não tem medo de morar no local. “Apenas gostaria que o policiamento no bairro fosse aumentado. Vai ser difícil esquecer o que aconteceu eles estavam sempre ao meu lado, bem ou mal, somente gostaria que os homens que assassinaram meu filho e meu marido pagassem pelo que fizeram”, finaliza Fátima. Ao lado da mãe, o jovem de 16 anos que presenciou o crime não disfarça o inconformismo pelo desfecho na vida do pai e do irmão.

Suspeitos se apresentam e negam autoria do crime
Os dois acusados de terem assassinado pai e filho no bairro Municipal, se apresentaram na Delegacia de Polícia na tarde de quarta-feira, acompanhados por um advogado. Eles foram reconhecidos pelas testemunhas e atenderam intimação da polícia. A polícia mantém restrito o nome dos acusados porque eles negam a autoria do crime e por enquanto a acusação que pesa sobre eles não está confirmada. Ambos os suspeitos alegam que estiveram na casa das vítimas, mas que lá teriam estado apenas para conversar com Itamar e Everson, pois eles haviam furtado alguns objetos da residência dos acusados. Um dos acusados possui passagem na polícia por lesão corporal e crime ambiental.
Conforme a delegada responsável pelo caso, Isabel Pires Trevisan, o motivo do crime teria sido realmente acerto de conta. Agora as investigações continuam e mais testemunhas serão ouvidas assim como está sendo aguardado o resultado do levantamento pericial feito no local para dar andamento ao inquérito.
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