Câncer de mama precisa de diagnóstico seguro
08/07/2010 16:48:44
Conforme José Pedrini, as mulheres com mais de 40 anos fazem exame de rotina anualmente
Especialista defende exame tríplice e lembra que mulheres que têm seio retirado tem direito à reconstituição com prótese

Para o médico mastologista (especialista em mamas) José Luiz Pedrini, a falta de método e de um diagnóstico seguro são inimigos da mulher e da medicina na luta contra o câncer de mama. O profissional esteve na cidade na última terça-feira a convite da Liga de Combate ao Câncer e conversou com profissionais da medicina, autoridades públicas e membros do Conselho Municipal de Saúde acerca dos métodos de controle e tratamento do câncer de mama, doença considerada questão de saúde pública cujos métodos de rastreamento no município estão em discussão.
O especialista reafirmou não haver apenas um método eficaz para detectar e combater este tipo de neoplasia. O indicado, segundo ele, é diagnóstico tríplice, qual seja: o auto exame, a consulta com um gineciologista (já que não há mastologistas em número suficiente) e a mamografia. “Até os anos 60 a totalidade dos casos era detectado apenas pelo auto-exame. No ano 2000 pelo menos 40% dos casos já era encontrado com o auxílio da mamografia”.
Por defender os três métodos é que Pedrini se diz favorável a que o encaminhamento para exames de mamografia sejam feitos exclusivamente por médicos. “As mulheres com mais de 40 anos já precisam consultar o ginecologista uma vez ao ano, então ele terá condições de dizer da necessidade do exame”, recomenda o médico.

Maus exames
Uma preocupação levantada pela presidente da Liga de Combate ao Câncer de Bento Gonçalves é quanto à qualidade dos exames. “Temos visto muitos casos de mutilações que entendemos não deveriam ser necessárias”, assusta-se Maria Lúcia Severa. Para quem estes mutilações (retirada da mama), em parte, podem derivar do resultado de exames de qualidade duvidosa pela falta de aferição dos aparelhos de mamografia. “Temos que evitar este procedimento que desestrutura a mulher e a sua família, trazendo muito sofrimento.” Maria Lúcia defende o estabelecimento de uma logística qualificada para o atendimento. “O que estamos fazendo é buscar um rumo. Não temos nada contra os enfermeiros, mas precisamos é qualificar o atendimento”.

Implantes pelo SUS
Pedrini alerta que as mulheres submetidas à extirpação de uma ou duas mamas, por lei, têm direito a um implante de silicone na mesma cirurgia de retirada do câncer, mas a maioria não conhece este direito e ele não é exercido. Em 1999, o então Ministro da Saúde José Serra assinou portaria neste sentido e em 2002, por iniciativa do Congresso, a medida se tornou lei.
Pedrini também demonstra preocupação com a qualidade dos mamógrafos. “Em 2005 denunciamos ao Ministério Público e este determinou que a vigilância sanitária inspecionasse todos os equipamentos. Porém, de lá para cá nada mais neste sentido aconteceu”.
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